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Editorial com Marcello Pepe

Marcello Pepe

25/03/2003 14:00

Chega no mercado o novo jogo War III... quem sabe?

Por Marcello Pepe


Rio de Janeiro, 25 de março de 2003

Quem não se lembra ou nunca brincou com o jogo de tabuleiro War? Neste jogo, os participantes têm, como objetivo, derrotar os exércitos dos outros países e, desta forma, ir tomando seus territórios até dominar o mundo. Na primeira edição do jogo, todas as batalhas eram travadas apenas entre territórios adjacentes ou conectados por oceanos. Na segunda versão (War II), os participantes ganharam o auxílio de ataques aéreos, o que possibilitava bombardeamento a territórios não-adjacentes.

Os anos se passaram e o jogo já deveria ter recebido uma nova edição: o War III. O que representaria um desafio maior: a paz.

Nesta nova versão, o jogo tem início se atirando os dados. O jogador que conseguir a maior soma nos dados, começa com os EUA e não participa da distribuição das outras cartas de países e nem dos objetivos, que, no caso dele, é de dominar o mundo inteiro. Todos os demais países têm, como objetivo, manter boas relações comerciais e diplomáticas com todos os jogadores, inclusive com o dos EUA e gerarem receitas e progresso para as nações. Em vez de distribuir os exércitos por um grande número de países, o jogador que recebeu os EUA irá concentrar todos no mesmo território. Como este jogador se auto-denominará como o país da liberdade, da democracia e das oportunidades, ele sediará a Organização dos Jogadores Unidos (OJU).

Depois que terminar a distribuição, o jogador que ficou com os EUA escolhe um dos territórios do Oriente Médio, de qualquer outro participante, e toma dele sem direito a contestação, mas sempre em nome e com aprovação da OJU. Organização esta que passa a ter o direito de autorizar ou vetar o uso da força contra qualquer país do jogo.

Quando interessar ao jogador dos EUA que seja destruído ou tomado qualquer país em que o adversário demonstre alguma liderança ou esteja próximo de um suposto objetivo, o jogador irá infiltrar seu exército na área e implantará explosivos nos dois países, divulgando a informação falsa de que um atacou o outro com carros-bomba e dados viciados até que uma guerra ilegítima e contra os interesses dos demais jogadores seja travada. Quando a batalha terminar, o jogador dos EUA irá convencer a OJU de que o país vitorioso não respeitou nem a organização nem as regras do jogo, e que deverá ser tratado como terrorista e sofrer duros embargos da UJU, não participando de 10 rodadas, mas podendo ser atacado por outros jogadores. Como todos querem evitar problemas com os exércitos dos EUA e querem viver em paz, todos os demais jogadores aprovam o embargo.

Se, depois de 10 rodadas, o país embargado continuar incomodando os interesses do jogador dos EUA, acontecerá o inusitado: Quando todos os outros jogadores estiverem dormindo, vendo TV, ou olhando para o outro lado, o jogador dos EUA irá simular um ataque, desta vez em seu território, com dados viciados e apontará um culpado pelo ato terrorista e irá tentar convencer a OJU de que deve autorizar um ataque a vários países que formam o "eixo do mau". Neste momento, após a OJU ter imposto embargos e estes países terem sofrido vários ataques sem poderem repor seus exércitos, o jogador dos EUA iria atacar com suas mais poderosas armas, querendo contar com o apoio da OJU e dos outros países.

Mas, como outros jogadores temem o crescimento do jogador dos EUA e aproximação do objetivo do mesmo, o que afastaria os jogadores de seus objetivos, passam a votar contra e não autorizam tal invasão.

Mesmo assim, o jogador invade o território do outro participante e começa a jogar os dados. Não importando o número que der nos dados, o jogador dos EUA vai removendo os exércitos do outro. Todos os demais adversários no jogo se rebelam e dizem que está tudo errado e que este jogador dos EUA não está seguindo as regras e nem obedecendo a decisão da organização.

Todos os participantes decidem sair fora do jogo e não querem brincar mais. O jogador dos EUA, totalmente mimado por muitas rodadas em que ele sempre sai ganhando, não quer saber e começa a bater com a cadeira no tabuleiro e dando murros na mesa e no peito, gritando: "Eu vou desarmá-lo! Eu ganhei o jogo! Eu sou o maior! Eu sou o melhor!"

Os outros partipantes cabisbaixos, balançam a cabeça em sinal de negação. Todos, em uníssono, afirmam: "Ainda bem que o mundo não é igual a esse jogo".





O jornalista Marcello Pepe trabalhou por muitos anos para o jornalismo brasileiro nos Estados Unidos, onde pôde editar, redigir e diagramar vários periódicos brasileiros. Lançou em 1997 o premiado PlanetaFax, sendo o primeiro informativo diário em português nos EUA. Confira o novo blog de Marcello Pepe em www.marcellopepe.com Acompanhe Marcello Pepe pelo Twitter

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Comentários

Comentário de Ricca Botta em 31/01/2006 às 12:53hs. (horário de Miami)

Ricca Botta
Cara, previ esse jogo no dia 11 de setembro de 2001. Na época disseram que eu era louco e tal...mas enfim, por coincidência estou finalizando o WAR PIG, um jogo com características parecidas àquele outro, o detalhe é que nesse não há EUA. Me mandem emails que te enviarei o novo mapa mundi e quem sabe poderemos trocar idéias e aperfeiçoar o jogo. Grande abraço.
ribotta@ig.com.br

Comentário de McfR 17 em 06/07/2009 às 18:21hs. (horário de Miami)

corretíssimo
Parabéns, vc descreveu esse jogo perfeitamente, mas só acrescentando + um detalhe. Sendo o EUA suas empresas multinacionais podem se instalar no Brasil, (mais precisamente na Amazônia) e extrair os recursos da área e patentiá-los, assim as empresas de lá tem que pagar royaltes caso querias utilizar tais recursos. Pode também instalar uma base militar na fronteira do Brasil com a Colômbia com o pretesto de combater as FARC, mas com a verdadeira finalidade de contrabadiar recursos da floresta amazônica. E finalmente se o governo se incomodar invada dizendo que está libertando os indios da região.


contudo meus comprimentos ao autor.


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