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Marcello Pepe

19/05/2004 01:00

O computador e seus paradoxos

Por Marcello Pepe


O escritor Jorge Amado, autor de inúmeros romances, era um dos dinossauros da literatura que não conseguiram se adaptar ao uso do computador. Certa vez, ele afirmou que só conseguia a inspiração para escrever, quando sentava diante de sua máquina de escrever manual e sentia a pressão das teclas, o barulho dos tipos batendo no papel, a sineta ao final de cada linha. Para ele, aquilo tudo fazia parte do ritual necessário para se redigir um texto. Era o seu mantra.

Já a poeta e escritora Zélia Gattai, sua mulher, redigia seus trabalhos usando um computador pessoal com a maior destreza. Tanto que era ela a responsável por digitar todo o trabalho do ilustre marido no PC – esta máquina presente em todos os lares de classe média.

Mas o computador é algo que desafia as leis da natureza. Nada do que sempre foi a regra pode se aplicar a esta paradoxal máquina do nosso cotidiano. Para todos nós, ele serviria para economizar o tempo de quem o usa, entretanto, nunca se perdeu tanto tempo diante de uma máquina como acontece no computador. Máquinas interessantíssimas, eles estão sempre tentando nos hipnotizar com seus encantos e as tantas possibilidades. É como se eu ouvisse o meu PC cantando pra mim aquela música do Fábio Jr.: “Senta aqui. Não fique assim tão triste, senta aqui.”

Você quer ver outra coisa? Este troço desafia até as leis da física. O que é que existe na natureza que, quando aquece congela? Só ele mesmo.

Um outro ponto é o uso do computador para economizar papel. Claro! Tudo está na tela. Mas não é que fica melhor ler no papel? Pois é... imprime daqui, corrige dali, imprime de novo... e lá se vão 10, 15, 20 folhas de papel.

Quando eu tive o primeiro contato com um computador pessoal profissional, por volta de 1982 (o CP-500, da Prológica), o feliz proprietário apontou para o “boneco” e disse: “você está diante do futuro”. Mas que mané futuro? O troço já virou peça de museu em Nova Iorque. Você hoje compra um equipamento para estar adiantado no tempo e, em menos de 3 anos, já está obsoleto. Conheço gente que comprou um forno de microondas há 8 anos e o forno ainda é atual, e nenhum vendedor disse que aquilo era coisa do futuro. Mas o forno, sim, ainda está presente ao hoje, que é o futuro daquele passado não muito distante.

Como é que pode uma coisa dessas? Quando se fala em computador, deveria se proibir que se afirme que é algo do futuro. Necessita, no lugar, dizer que será do futuro por uns 6 meses, presente por 1 ano e meio e ultrapassado dali pra frente.

De qualquer forma, tudo isto encanta pelo fato de podermos fazer parte desta geração, desta era, em que somos os primeiros a experimentar estas máquinas arcaicas que ainda precisam de nossa intervenção para agir, que não pensam por si próprias. Quando, no verdadeiro futuro, nossos netos e bisnetos nos perguntarem como é que era naquela época em que o computador era uma ferramenta de trabalho tão complexa, tão dinâmica? Nossos olhos vão encher de lágrimas e vamos dizer: “ah, que tempos... tudo era muito mais poético... aquele teclado, aquela tela, aqueles auto-falantes. Nos sentíamos mais poderosos controlando aquilo tudo diante de nós. Os arquivos e documentos ficavam gravados no nosso computador, acredita nisso? Tinha que ligar na tomada pra funcionar. Tinha um tal de Doors, Windows, não me lembro o nome, mas lembro que travava toda hora. Era bom, pois podíamos tomar sempre um cafezinho e relaxar. Ah... bons tempos”.





O jornalista Marcello Pepe trabalhou por muitos anos para o jornalismo brasileiro nos Estados Unidos, onde pôde editar, redigir e diagramar vários periódicos brasileiros. Lançou em 1997 o premiado PlanetaFax, sendo o primeiro informativo diário em português nos EUA. Confira o novo blog de Marcello Pepe em www.marcellopepe.com Acompanhe Marcello Pepe pelo Twitter

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Comentários do Planeta!

Comentários

Comentário de Viviane Damásio Duarte em 21/06/2004 às 14:43hs. (horário de Miami)

Que grata surpresa!!
Pepe, não sei se você se lembra de mim. Nós estudamos juntos na ENCE. Um dia desses resolvi procurar os velhos amigos nos sites de busca da web, e um dos nomes que me veio a cabeça foi o seu. Fiquei muito feliz de descobrir seu sucesso. Em 1986 já dava para notar que você iria muito longe. Procurei tb o Márcio Beuclair e o Lupa. Lembra deles? Caso vc me responda esta msg te conto por onde eu ando. Um grande beijo, Viviane Duarte.

Comentário de em 25/06/2004 às 17:27hs. (horário de Miami)

O COMPUTADOR ME ENSINOU A ESCREVER
pREZAADA AMAIGA:

Tenho setenta e sete anos de idade. Eu não conhecia o computador e me apixonei a primeira vista por essa máquina. Era um CP500 da Prológia e dei de presente a meu filho. Ele tambem com seus 14 anos tambem não sabia maneja-lo. Foi obrigado a fazer um curso em Recife que acompamhei-o até terminar. Nessa época em tinha uns 60 anos e nao me entrava na cabeça aquela linguagem estranha. Ele ao contrario, moço, evoluiu e chegou a ir estudar nos EE.UU e depois no apão. Eu aprendi a manuseá-lo apenas para escrever e usar a Internet até os dias de hoje.
Gosto de esscrever e devido ao silencioso toque das teclas o faço com rapidez e as palavras fluem do cérebro como a água corre no riacho, velozmente.
Tenho até um projeto de livro esboçado e gostara que alguem o visse para ver se tenho jeito para a coisa. Tudo aagradeço ao computador. Imaginar que Vitor Hugo escreveu Os Miseráveis com mais de 3.000 páginas, com caneta de pena de ganso em dezesseis anos, hoje faria isso em apenas um ano, é uma diferença enorme.
De outra oportunidade enviarei um artigo para voce passar adiante se achar interessante.

Um abraço

José Luiz Gomes

Comentário de JOSE LUIZ GOMES em 25/06/2004 às 17:31hs. (horário de Miami)

O COMPUTADOR ME ENSINOU A ESCREVER
pREZAADA AMAIGA:

Tenho setenta e sete anos de idade. Eu não conhecia o computador e me apixonei a primeira vista por essa máquina. Era um CP500 da Prológia e dei de presente a meu filho. Ele tambem com seus 14 anos tambem não sabia maneja-lo. Foi obrigado a fazer um curso em Recife que acompamhei-o até terminar. Nessa época em tinha uns 60 anos e nao me entrava na cabeça aquela linguagem estranha. Ele ao contrario, moço, evoluiu e chegou a ir estudar nos EE.UU e depois no apão. Eu aprendi a manuseá-lo apenas para escrever e usar a Internet até os dias de hoje.
Gosto de esscrever e devido ao silencioso toque das teclas o faço com rapidez e as palavras fluem do cérebro como a água corre no riacho, velozmente.
Tenho até um projeto de livro esboçado e gostara que alguem o visse para ver se tenho jeito para a coisa. Tudo aagradeço ao computador. Imaginar que Vitor Hugo escreveu Os Miseráveis com mais de 3.000 páginas, com caneta de pena de ganso em dezesseis anos, hoje faria isso em apenas um ano, é uma diferença enorme.
De outra oportunidade enviarei um artigo para voce passar adiante se achar interessante.

Um abraço

José Luiz Gomes

Comentário de Joca Filho em 08/09/2004 às 14:47hs. (horário de Miami)

Cadê o jornalista Paulo J. Rafael
Oi, por onde anda o jornalista Paulo J. Rafael?
Não tenho mais visto seus artigos no Planeta News. Será que o editor colocou o profissional na geladeira? Mas por que???

JOca Filho, Porto Alegre(RS)

Comentário de Marco Antônio Pereira dos Santos em 21/06/2005 às 18:24hs. (horário de Miami)

Busca por Amigos
Caro Pepe, estava buscanco na Net pela Viviane e acabei chegando em vc. Estudamos juntos na ENCE, estou juntamente com o Marcus Vinícius e o Francelino tentando reuniar o pessoal, se puder me responda. Um abraço.

Comentário de Marco Cardozo em 01/08/2005 às 11:27hs. (horário de Miami)

Da ENCE
Oi PEPE

Achei legal seu artigo, parabéns.
Queria saber sobre os encontros do pessoal da ENCE.
Estudei lá entre 83 e 86 e gostaria de saber dos amigos. Pode me dizr uma forma de contato com eles? Tem telefone do Beuclar do Lupa e da Viviane?

Comentário de cássia kelly rodrigues santana em 13/07/2006 às 08:27hs. (horário de Miami)

computado legal
Achei interessante o modo que ocomputador avavçou ninguém está preocupado com dever da escola,eu por exemplo tudo que faço é pelo computador.

Comentário de cássia kelly rodrigues santana em 13/07/2006 às 08:28hs. (horário de Miami)

computado legal
Achei interessante o modo que ocomputador avavçou ninguém está preocupado com dever da escola,eu por exemplo tudo que faço é pelo computador.

Comentário de Jose Carlos Valle em 01/10/2006 às 20:02hs. (horário de Miami)

Marcello, do curador do Museu do Computador..
Gostei muito do seu comentario sobre o computador, e existem milhares de historias, causos, etc.
Conheça um pouco mais dando uma olhada no meu blog. o Blog do curador.
obrigado
http://museudocomputador.blogspot.com

Comentário de MARCO ANTÔNIO em 17/03/2008 às 11:20hs. (horário de Miami)

Ex -alunos da ENCE-Escola Nacional de Ciências Estatísticas
Ilmo Sr Marcello Pepe,

Se você foi aluno da ENCE , queira visitar a página http://br.groups.yahoo.com/group/ence86-88 e nos prestigie com a sua lembrança.
Caso contrário, perdoe o equívoco.
Atenciosamente, MARCO ANTÔNIO
Brasília-DF, 17/03/2008


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