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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

27/11/2006 02:00

Experiência e primeiro emprego

Por Luciano Salamacha


Como ter experiência de trabalho se não consigo a primeira oportunidade?

Basta analisar um pouco o mercado de trabalho para entender o paradoxo da experiência. Explico. É que, de um lado, estão empresas que buscam profissionais cada vez mais qualificados, seja tecnicamente ou por meio de diplomas de ensino superior, mas também pessoas que já tenham alguma experiência no mercado de trabalho. Isso significa que o espaço para os novatos e aqueles que não tem experiência vem diminuindo a cada dia.

De outro lado, muitos jovens acreditam que a única maneira de adquirir e provar experiência para as empresas é já tendo tido um emprego anterior. E o leitor pode estar se perguntando: como adquirir experiência se não consigo a primeira chance? Esse é o paradoxo da experiência que precisa ser alterado mediante o uso da estratégia e da visão sobre o mercado. O modelo tradicional é o estágio. Muitas empresas consideram como experiência profissional o tempo investido em estágios.

Outra forma que um jovem tem para conquistar a tão desejada experiência e, ao mesmo tempo, estabelecer um diferencial no mercado, é o trabalho voluntário. Quem compreende que essa experiência pode ser altamente enriquecedora para o currículo profissional está começando a aproveitar as oportunidades que surgem.

Portanto, a dica para conseguir experiência é: não perca mais tempo. Candidate-se agora como voluntário em uma instituição filantrópica e, principalmente, aja com profissionalismo. Afinal, se você achar que estará fazendo um favor para a instituição, o mercado também poderá achar que estará fazendo apenas um favor, e não um reconhecimento, ao lhe conceder um emprego.

Como ter experiência de trabalho se não consigo a primeira oportunidade?

Basta analisar um pouco o mercado de trabalho hoje para entender o paradoxo da experiência, ou seja, é que se de um lado têm-se as empresas que estão buscando profissionais cada vez mais qualificados, seja tecnicamente através de diplomas de ensino superior e também pessoas que já venham com alguma experiência no mercado de trabalho, o espaço para os novatos que não tem experiência, vem diminuindo a cada dia.

Muitos jovens acreditam que a única maneira de obter e provar essa experiência positiva para as empresas, é tendo um emprego anterior.Mas então se deve perguntar: “como eu posso ter experiência de trabalho se eu não tenho a primeira chance?”

Este é o paradoxo da experiência que deve ser rompido, ou ser alterado mediante um pouco mais de estratégia e divisão de mercado. O modelo mais tradicional é o estágio, muitas empresas consideram como experiência profissional a atividade que o estagiário teve.

Uma outra forma que um jovem dispõe para conquistar a tão desejada experiência e ao mesmo tempo estabelecer um diferencial no mercado, é o trabalho voluntário. Quem compreende que essa experiência pode ser altamente enriquecedora para o currículo de um profissional candidato ao emprego, está começando a aproveitar as oportunidades que surgem. Portanto, fica a dica: se você é jovem e está em busca da tão afamada experiência para conquistar uma vaga no mercado, não perca mais tempo, candidate-se agora como voluntário em uma instituição filantrópica e principalmente, aja com profissionalismo, afinal se você acha que está fazendo um favor para a instituição o mercado também vai achar que está apenas fazendo um favor e não um reconhecimento ao lhe conceder uma vaga de emprego.

A importância do trabalho voluntário na carreira profissional

O sistema de recrutamento de profissionais no mercado vem sofrendo alterações drásticas nos últimos anos. Um exemplo claro disso é que na década de 80 eram necessários o primeiro grau completo (termo utilizado na época para o hoje ensino fundamental) e um curso de datilografia. Na década de 80, dispor um curso de computação era um luxo e não algo básico como atualmente.

O cenário foi mudando e na década de 90 o “primeiro grau” foi substituído pela qualificação mínima do 2º grau, hoje chamado de ensino médio, e o diferencial agora não era mais a tal datilografia e sim um curso de computador. Foi nessa época que surgiram aqueles termos, aqueles chavões usados até hoje nos currículos como: “domínio pleno em informática”, “conhecimento pleno em computação”.

Na verdade esta evolução chegou ao nosso século buscando profissionais que tenham ensino superior e tenham também outra característica: que saibam descrever claramente como podem contribuir para o sucesso da empresa. É neste sentido que entra a experiência que muitos jovens possuem no terceiro setor. Isso significa que atualmente é diferencial para conquistar uma vaga em uma empresa o trabalho que uma pessoa vem desenvolvendo junto às instituições sociais de sua cidade, participar de Organizações não governamentais – ONG -, de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip - e outras siglas que refletem um trabalho voluntário voltado para a comunidade ou para o meio ambiente, é uma ótima oportunidade de melhorar e qualificar o seu currículo.

A forma de valorizar isso está no ato da entrevista. Um candidato deve demonstrar que mesmo no terceiro setor agia com profissionalismo, com seriedade, coerência e principalmente que aquela atividade revela os seus princípios e valore pessoais. Por isso a recomendação de hoje é para que os jovens passem a atuar mais no trabalho voluntário, pensando não apenas na sociedade mas também como uma forma de melhorar sua qualificação no mercado de trabalho, mas para isso é preciso humildade e profissionalismo.

Quero contribuir à sociedade, qual a melhor maneira?

Um dos fatores fundamentais para a análise de um projeto de responsabilidade social, é com certeza o valor e o beneficio que vai ser entregue à comunidade. De nada adianta conduzir ou elaborar um projeto de responsabilidade social que tem apenas resultados duvidosos.

Infelizmente, o que poucas pessoas compreendem é que junto com os resultados há uma preocupação muito grande por parte das empresas quanto a continuidade daquele projeto. Ou seja, algumas pessoas imbuídas do espírito de servir, movidas pela vontade de fazer algo e deixar sua marca na sociedade, escrevem projetos maravilhosos e que podem trazer bons resultados para a comunidade.

Na realidade esta atitude equivale somente a 50% do caminho a se percorrer. Estes esquecem que esse projeto não pode começar e parar dali um ano, pois as conseqüências podem ser ainda mais sérias. Por isso é preciso que as pessoas deixem sua criatividade um pouco de lado para elaborar novos e mirabolantes projetos voltados à responsabilidade social e passem a apoiar, e literalmente engrossem a fileira dos voluntários que já fazem muito pela sociedade.

Um dos grandes problemas que se percebe quanto ao tema responsabilidade social, principalmente no início da década de 90, foi o início e término de grandes projetos. Bons projetos que tinham tudo para auxiliar uma comunidade, que geraram grandes resultados no início mas que depois foram literalmente abandonados por que as pessoas simplesmente cansaram de exercer aquela função. De uma forma prática, antes de pensar em iniciar mais um projeto de responsabilidade social o melhor é verificar se não é o caso de colocar sua boa vontade, dedicação e desejo de contribuir para com o próximo, a serviço dos projetos já existentes.

Os princípios do trabalho voluntário

Um dos maiores méritos que os projetos de responsabilidade social e de trabalho voluntário para a comunidade têm, é justamente o de ensinar as pessoas que o processo de plantar não está necessariamente atrelado ao sucesso de colher. Um exemplo disso é a experiência de Antônio. Ele é um agricultor e todo ano semeia sua lavoura. Acontece que não é por que a lavoura está plantada, crescendo e se desenvolvendo que o Antonio começa a gastar antes da colheita, os lucros que ele planeja ter.

Antonio sabe que plantio não necessariamente significa colheita certa, portanto sabe que quando faz um bom plantio a probabilidade de colheita é maior, mas ainda assim esta está sujeita às variações climáticas que podem colocar tudo a perder.

Do mesmo modo por analogia, o trabalho voluntário no terceiro setor deve ser desatrelado de alguma espécie de reconhecimento. È preciso que um profissional encare a realidade sem segundas intenções e sem desculpas esfarrapadas. Se ele está no trabalho voluntário por que deseja ser reconhecido como alguém caridoso, alguém que se dedica à sociedade, o melhor é que ele repense suas atitudes, e se for o caso abandone esse trabalho.

Trabalho voluntário para a comunidade pressupõe dedicação incondicional. Significa ceder parte do seu tempo para uma atividade que pode ou não dar resultados, e principalmente, que não necessite em nenhum momento, qualquer tipo de agradecimento ou reconhecimento público por esta dedicação. Esse é o princípio do voluntariado. Portanto a recomendação de hoje é para que as pessoas decidam por que motivo se envolveram no processo de trabalho voluntário. Resumindo de uma forma prática e objetiva, o trabalho voluntário tem o foco exclusivo nos resultados que gera para a comunidade e não no reconhecimento que o voluntário pode obter. Pense nisso!




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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