Por que as pessoas desejam tanto a competição?
Parece que o ser humano já vem com uma espécie de programação genética com relação à competitividade. Na infância, o impulso de disputa se demonstra quando surgem os desafios para ver quem é o mais veloz, o mais forte ou o mais bonito. Quando a adolescência chega, os modismos mudam o formato, mas a competição continua. O vencedor agora é quem já aparenta ser um adulto. Quando chega a juventude a disputa sofre nova mutação.
Agora é a necessidade de se afirmar como uma pessoa madura e questionadora que provoca nas pessoas uma análise crítica sobre o comportamento da sociedade. Os sonhos e a visão de que tudo é muito simples e que são os mais velhos que gostam de complicar as coisas faz com que os jovens desafiem tanto a sociedade, quanto a si mesmos. O que há em comum em todas essas fases? Simples: a necessidade de se estar à frente dos adversários. Perceba que há dois critérios básicos em qualquer modelo de competição que se forma naturalmente na sociedade.
O primeiro é que, obrigatoriamente, para que exista um vencedor é necessário que alguém perca. Logo, não se admite o compartilhamento do sucesso. O raciocínio é: “para que eu ganhe, alguém tem que sair perdendo”. O segundo conceito é que na disputa pura e simples, ganha o “menos” pior e não necessariamente o melhor.
Um exemplo típico é o caso daquela empresa em que todos os funcionários são péssimos e cometem muitos erros. Não significa que aquele profissional que erra menos deve ser considerado excelente. Ele apenas não é tão ruim quanto os demais. Por isso, a recomendação de hoje é simples e direta: Quem olha para os lados acaba tropeçando nos obstáculos que estão à sua frente.
Admiração e inveja no ambiente de trabalho
Em primeiro lugar é importante reconhecer que o fenômeno de um colega estar se preocupando mais com o serviço do outro do que propriamente com o seu, é algo mais ou menos comum. Isto por que há duas formas de pensar que levam a esse tipo comportamento, o primeiro é positivo e o segundo, evidentemente, é o negativo.
O raciocínio positivo se dá quando alguém é admirado pelos seus colegas, e que portanto, é tido como uma espécie de exemplo, uma espécie de caminho para o sucesso e que portanto, deve ser admirado e até mesmo copiado. Agora o lado negativo do pensar, esse sim pode causar muitos problemas para um profissional.
É quando essa preocupação decorre da inveja, do ciúme e conseqüentemente, a pessoa não está preocupada em crescer mas sim, em não deixar que os outros sejam mais competentes. É a famosa história da “piscina do inferno”. Diz a lenda que em uma determinada localidade todas as pessoas ruins foram colocadas em uma única piscina pelo diabo, e naquele local ele não se preocupou em colocar sequer um vigia. E não era preciso, pois cada vez que alguém queria sair da piscina os demais integrantes imediatamente pegavam no pé da pessoa e a traziam de volta dizendo: “daqui você não sai, se estamos na desgraça estaremos sempre todos juntos”.
Eles não tinham visão e muito menos propensão em ter um sentimento nobre de ajuda mútua. Por isso, antes mesmo de querer reagir ao comportamento do colega que se preocupa com o seu trabalho, procura identificar se é fruto da admiração ou da inveja, é que se sua reação não for controlada você pode cometer um erro: perder um admirador e conquistar mais um invejoso em sua vida. Pense nisso!
Quero crescer, mas há muitos obstáculos no meu caminho?
Considera-se importante que um profissional saiba compreender a diferença entre as famosas desculpas e os verdadeiros obstáculos que podem impedir o desenvolvimento de uma carreira de sucesso. A diferença está na origem do problema. Obstáculos são causados por fatores alheios à vontade e atitude do profissional. Sendo assim, geralmente atingem não apenas uma pessoa, mas todo um conjunto de indivíduos.
Já as desculpas têm origem na própria pessoa. Normalmente, quando um profissional está indeciso sobre o que fazer, ou até mesmo acomodado em uma posição de conforto na carreira, é comum que ele apresente uma série de desculpas para justificar a falta de ações.
É o caso do Joao. Ele trabalhava em uma empresa na qual a área de informática não conseguia atender a todos os pedidos de alterações no sistema de gestão. Por conta disso, ele sempre reclamava que não podia melhorar o desempenho do seu setor por falta de relatórios que o apoiassem em suas decisões. Em um determinado dia a gestão ficou cansada de tanto escutar as reclamações do funcionário que resolveu promover uma mudança radical na empresa. Transferiu o João para outro setor e, ao mesmo tempo, contratou outra pessoa para a função. A diferença fundamental foi que o profissional que sucedeu João no cargo foi contratado com a devida orientação que não teria apoio do sistema de gestão da empresa. Resumindo: ele teria que ser criativo para contornar os problemas que surgissem no caminho. O resultado já era previsível. Livre de desculpas e ciente de que dependia apenas dele a solução daquele problema, o novo encarregado conseguiu melhorar os processos da empresa e, por conseqüência, atingiu os resultados esperados pela gestão, o que João nunca havia conseguido. Também foi inteligente para mapear o que realmente dependia de sistema daquilo que ele poderia fazer. Ou seja, descubra a origem dos seus problemas e parta logo para a ação.
O colega é bem intencionado, mas não pára de se preocupar com que você está fazendo?
Existem pessoas que gostam de competir de forma positiva no ambiente de trabalho. Na verdade, são profissionais que elegem uma espécie de ponto de referência, de exemplo de conduta no trabalho. O objetivo é simples: por conta da admiração que têm pelo bom desempenho do colega, essas pessoas buscam de todas as formas seguir o seu exemplo, na tentativa de praticar os mesmos acertos. Não se trata de inveja, uma vez que a idolatria está presente.
Em decorrência disto, quanto mais sucesso o colega que é referência atinge, mais estimulados ficam aqueles que buscam copiar suas atitudes. Infelizmente, alguns profissionais não entendem esse sentimento e acabam reagindo de forma negativa, maltratando seus admiradores e, com isso, conquistando inimigos na empresa. Note que esses “fãs” corporativos não pediam nada em troca a não ser a possibilidade de aprender com erros e acertos do ídolo. Em compensação, pela falta de compreensão, acabam recebendo retaliações e sendo considerados como pessoas que acompanham o desempenho alheio como uma torcida que espera o time adversário cometer uma falha.
O erro neste processo está na falta de diálogo sincero e franco sobre o que cada um deseja ao outro. Para resolver esta questão, o lado responsável por provocar o diálogo é aquele que percebe que está havendo uma deturpação entre o que realmente se pretende, que é aprender com a experiência alheia, e aquilo que se presume ser a intenção, como o de simplesmente se incomodar com o trabalho dos outros. O resultado costuma ser a criação de uma equipe voltada ao desenvolvimento profissional, tanto de quem observa quanto de quem é observado. Resumindo, trata-se de uma escolha muito simples: ter colegas que acompanham o seu trabalho torcendo para o seu sucesso, ou torcendo pelo seu fracasso!
Como se proteger dos colegas que torcem para que você erre?
Trabalhar em um ambiente onde as pessoas torcem pelo seu insucesso não é tarefa fácil. Entretanto, antes de começar a agir, é importante que um profissional faça uma análise criteriosa para identificar como a alta gestão se comporta diante deste fenômeno.
Há casos em que a chefia sabe que algumas pessoas da equipe torcem pelo insucesso alheio, não concordam com isso, mas também não toma nenhuma atitude. A saída para quem tem que trabalhar em ambientes deste tipo é utilizar estratégias que forcem seus superiores a assumirem uma posição. Um bom exemplo é o do João que, cansado da omissão de seu superior diante de uma competição negativa em seu setor, resolveu tomar uma atitude. Aproveitou uma reunião qualquer para expor o que estava acontecendo e como isso vinha atrapalhando o trabalho em equipe para, finalmente, questionar seu chefe sobre qual era sua posição a respeito.
Uma outra situação possível é aquela em que a disputa entre os funcionários é estimulada pela própria empresa. E mais: há situações em que as atitudes desleais entre colegas de trabalho são entendidas pela gestão como parte do processo de desenvolvimento profissional. Nestes casos, o melhor a fazer é não perder mais tempo e tratar logo de procurar uma outra colocação.
Simples! Que tipo de perspectiva de crescimento profissional pode se ter em uma empresa onde valores éticos não são respeitados? Tentar corrigir os valores das pessoas é uma tarefa difícil e que somente é possível quando há o desejo de mudança. Acontece que insistir para que a chefia e os colegas passem a cultuar os mesmos valores que você é, no mínimo, um erro. Pense nisso!
Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente.
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