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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

11/12/2006 02:00

Profissional "Velho"

Por Luciano Salamacha


Profissional “velho” só causa confusão!

De fato, tenho convicção de que um profissional “velho” só causa confusão no trabalho. Aliás, essa é uma discussão que vem acontecendo cada vez com mais freqüência no meio empresarial. E quanto mais inovações tecnológicas vão sendo incorporadas no dia-a-dia das empresas, também é maior a dúvida do gestor se ele se deve ou não tolerar um profissional “velho”. E como toda polêmica, as opiniões na empresa ficam divididas.

De um lado há pessoas que defendem os profissionais “velhos” alegando que eles têm o seu valor. Porém, muitos condenam enfaticamente que não há lugar para um profissional “velho” no mundo empresarial. Para lidar com um funcionário “velho”, a recomendação é que a gestão atue com firmeza, sem se desviar do assunto e sem tentar fazer de conta que alguns problemas não existem. Acredito que é obrigação de um gestor encarar o problema e tomar uma atitude, ainda que envolva um profissional “velho”. Entretanto, cabe aqui um esclarecimento importante: Segundo o dicionário, o termo velho pode ter dois significados.

Como substantivo, velho significa homem de idade avançada. Já como adjetivo, “velho” quer dizer antigo, algo fora de uso, fora de moda, muito usado, gasto. Peço ao leitor que observe que utilizo o termo velho como adjetivo quando me refiro a um profissional “velho”. Assim, o termo “velho” deixa de ser uma questão de idade, mas sim, de atualidade profissional. É que uma pessoa de vinte anos de idade pode se tornar um velho do dia para noite, assim como, um simpático velhinho de setenta anos pode estar no auge de sua juventude profissional. Lembre-se: um profissional deve ser julgado pelos seus atos e não pela sua idade.

E quando o profissional “velho” também é idoso?

A questão não é se o profissional “velho” é idoso ou não. Atualmente se tem tido a oportunidade de conviver com pessoas de idade avançada que são excelentes profissionais. Parece até que a idade só aumentou sua capacidade e competência. Esses bons velhinhos, literalmente odeiam quando alguém tenta fazer alguma diferenciação na empresa por causa da idade que possuem. Pelo contrário, eles exigem a consideração e respeito que é dispensada a todas as pessoas na empresa.

Ou seja, eles querem apenas ser tratados como os profissionais que são e sem nenhum tipo de distinção. Entretanto, existe sempre aquele tipo de pessoa que gosta de negociar a sua permanência na empresa em função de alguma necessidade pessoal.

Observe que a moeda de troca utilizada para garantir um emprego é um momento difícil que se está vivendo. Desta forma, quando a pessoa é jovem, se agarra em questões como “Eu preciso de ajuda! Tenho filhos pequenos para criar” ou “Por favor, eu tenho um caso sério de doença na família”.

Já quando esse funcionário tem certa idade e não é profissional, ele busca um argumento diferente como “Na minha idade, eu não tenho muitas alternativas de trabalho. Eu preciso da sua ajuda”. Como alguns gestores ainda têm a mania de assumir para si problemas que não são seus, o que acaba acontecendo é que o coração prevalece sobre a razão.

Logo, a dica de hoje é simples e direta: um profissional de verdade não tenta se prevalecer da sua idade para conseguir se manter em uma empresa. Ele sabe que é a sua competência que deve ser levada em conta. Lembre-se: não é uma questão de se ter experiência, é uma questão de ser profissional o tempo todo, independente da idade que se tem.

A experiência não vale nada?

Ter experiência é como ter uma grande fortuna em dinheiro nas mãos. Embora a experiência possa facilitar certas situações, quando não é bem utilizada, não serve para muita coisa. Aquele profissional que acumulou muito conhecimento por conta de sua idade, tem a obrigação de construir um diferencial de mercado a partir disto.

É justamente neste ponto que algumas pessoas ficam frustradas por se sentirem discriminadas na empresa em função da sua idade. Um bom exemplo: no escritório de uma empresa, trabalha há mais de vinte anos o Sr. José. Ele conheceu a glória e o declínio de várias ferramentas na empresa, como a máquina de escrever e o telex, entre outros. Entretanto, o que chama a atenção é que o Sr. José não se deixou abater quando as inovações apareceram. Pelo contrário, é um dos maiores incentivadores do uso de e-mail na empresa. E ainda, foi ele quem soube alertar os seus diretores sobre os perigos do uso indevido da internet na empresa.

De forma simples, ele sabe que sua permanência na empresa não é apenas por ter mais experiência que os demais funcionários. Na verdade, é a sua capacidade de utilizar corretamente essa experiência no dia-a-dia que garante o seu lugar. E ainda, o Sr. José é um dos profissionais mais queridos e respeitados no ambiente de trabalho. Afinal, quem não deseja chegar à idade do Sr. José com a mesma disposição? Pois, apesar dos seus sessenta e tantos anos, é um profissional “jovem” e que sabe converter todo o seu conhecimento em diferencial.Não é à toa que para o gestor da empresa, o Sr. José é um funcionário de difícil substituição. Afinal onde ele irá encontrar alguém com tamanha experiência e vitalidade? Lembre-se: como diz um ditado chinês, “aquele que sabe, mas não faz, no fundo não sabe!”.

E quando o profissional “velho” não quer se atualizar?

Quando um profissional “velho” não quer se atualizar na empresa, ou seja, não quer seguir as inovações que vem sendo implementadas, a saída é, teoricamente simples. Pela teoria, a solução é orientar e apoiar a pessoa para que melhore o desempenho e se atualize. Entretanto, se mesmo assim ela não mudar, a saída é demitir o profissional.

O problema é que quando isso acontece com uma pessoa que já tem uma idade avançada, aparentemente as coisas ficam mais complicadas. O leitor já deve ter tido a oportunidade de escutar profissionais que se orgulham de não acompanhar as inovações tecnológicas da sua empresa.

Se perguntar a um gestor se ele tem dúvidas quanto a demitir alguém que não acompanha as inovações na empresa, a resposta que se recebe geralmente é a seguinte: “Eu não tenho dúvida se tiver que demitir alguém que não evoluiu. A minha dúvida é saber quantas vezes devo insistir para que a pessoa se atualize, antes que eu tenha que demitir!”.

De fato, é desagradável ter que dispensar alguém que é agarrado ao passado. O problema é que o ”passado” não paga a conta do “futuro”. Nesses momentos, a dica tem sido sempre a mesma. Tente tantas vezes quanto a sua empresa puder suportar, e a sua consciência solicitar. Mas, não esqueça: a cada tentativa que você fizer com esse funcionário, estará criando também um compromisso de agir assim com os demais da empresa no futuro. Lembre-se: quando um gestor concede privilégios a alguém, está concedendo privilégios também, para todos aqueles que estiverem algum dia, na mesma situação.

Como reconhecer um profissional “velho” ?

Segundo o dicionário, o termo velho pode ter dois significados. Como substantivo, velho significa homem de idade avançada. Já como adjetivo, “velho” quer dizer antigo, algo fora de uso, fora de moda, muito usado, gasto. Pede-se ao leitor que observe que é utilizado o termo velho como adjetivo quando me refiro a um profissional “velho”.

Assim, o termo “velho” deixa de ser uma questão de idade, mas sim, de atualidade profissional. Uma pessoa de vinte anos de idade pode se tornar um velho do dia para noite, assim como, um simpático velhinho de setenta anos pode estar no auge de sua juventude profissional.

A questão não é se o profissional “velho” é idoso ou não. Tem se tido a oportunidade de conviver com pessoas de idade avançada que são excelentes profissionais. Parece até que a idade só aumentou sua capacidade e competência. Esses “bons velhinhos”, literalmente, odeiam quando alguém tenta fazer alguma diferenciação na empresa por conta da idade que possuem. Ao contrário, eles exigem a consideração e respeito que é dispensada a todas as pessoas na empresa. Entretanto, fique atento! Embora a experiência possa facilitar certas situações, quando não é bem utilizada, ela não serve para muita coisa. Aquele profissional que acumulou muita experiência por conta de sua idade tem a obrigação de construir um diferencial de mercado a partir da sua experiência. Não é à toa que para o gestor da empresa, um profissional que sabe utilizar corretamente o conhecimento adquirido, é considerado de difícil substituição. Lembre-se: Como diz um ditado chinês, “aquele que sabe, mas não faz, no fundo não sabe!”.




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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Comentários

Comentário de JEANINE BASTOS BERGENTHAL em 23/03/2008 às 07:39hs. (horário de Miami)

PROFISSIONAL VELHO
PREZADO SENHOR

UMA FELIZ PÁSCOA.CONCORDO COM O QUE O SENHOR COMENTOU A RESPEITO DO PROFISSIONAL VELHO,E TAMBÉM PUDE TER UMA VISÃO MAIS AMPLA DA SITUAÇÃO DE EMPREGAR UMA PESSOA DE IDADE AVANÇADA.MAS GOSTARIA DE LEMBRAR-LHE DE QUE HÁ MILHARES DE PROFISSIONAIS DE IDADE AVANÇADA QUE SÃO PLENAMENTE ÚTEIS ,E QUE PODERIAM ENGRANDECER SOB VÁRIOS ASPECTOS AS EMPRESAS.BOM ISSO O SENHOR JÁ SABE,COM CERTEZA.DE QUALQUER MANEIRA OBRIGADA PELO SEU ESCLARECIMENTO E SUCESSO.MEU NOME É JEANINE,TENHO 52 ANOS E ADORARIA SAIR DO MAGISTÉRIO E TRABALHAR EM UMA EMPRESA ONDE EU PUDESSE APROVEITAR TODOS OS MEUS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS NO DECORRER DE MINHA VIDA.UM ABRAÇO E OBRIGADA POR SUA ATENÇÃO.



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