Como saber se já atingi o limite da mudança?
Tem se observado que muitos profissionais buscam métricas e instrumentos de medição para determinar o comportamento humano e esse é um grande erro. Não é possível estabelecer limites ao comportamento, e principalmente ao estado de conforto de cada um. E essa é a dica.
É o estado de conforto, é o quanto a pessoa se sente bem ao agir daquela maneira, que irá determinar o limite da mudança. Algumas pessoas podem agir de determinada maneira e sentirem-se muito confortáveis enquanto outras quando tentam atuar da mesma forma acabam se sentindo frustradas. Elas acreditavam que sendo igual às outras pessoas teriam a mesma felicidade.
Por isso a recomendação de hoje é muito simples. A mudança deve ser realizada até o ponto exato do estado de conforto. Quando você não se sente bem ao agir de determinada forma não pense duas vezes, mude o seu comportamento ainda que isso aparentemente pareça ter um custo muito alto para sua carreira.
No curto prazo outros fatores como remuneração e estabilidade podem dar uma falsa sensação de felicidade. Entretanto, no médio prazo esta ausência de realização pessoal vai cobrar um preço muito alto. Há profissionais que acabam se arrependendo tarde de mais por não ter agido de acordo com a sua essência, mas sim com aquilo que os outros diziam que era bom.
Tenho uma oportunidade nas mãos. Preciso, mas não quero ter um sócio?
Algumas pessoas acreditam cegamente que vida em sociedade não presta. Que ter um sócio é perder o comando da empresa. É ter que dividir autoridade e poder junto à equipe. Para pessoas que pensam desta forma, vir a ter um sócio é o mesmo que se tornar prisioneiro. É literalmente a perda da liberdade.
Muitas vezes, esses indivíduos são grandes empreendedores, ou seja, são pessoas que têm capacidade e perspicácia para desenvolver novos negócios. Acontece que, pelo medo de ter um sócio, elas acabam deixando de aproveitar as oportunidades que criam. O motivo é simples. É que sozinha, uma pessoa pode não conseguir levar adiante o negócio que concebeu. Aliás, o mundo empresarial é rico em exemplos de empresas que criaram um novo conceito de negócio (que tinha tudo para dar certo), mas que faliram pela falta de capacidade de investimento ou de gestão.
De forma prática, ter uma grande idéia nas mãos não é garantia de sucesso. É preciso também ter a capacidade de transformar essa idéia em um negócio concreto. E quando não se tem condição financeira, estrutural ou pessoal para isso, o melhor é assumir esta situação e buscar alguém que aceite dividir a oportunidade com você. Na teoria, esse conceito se demonstra fácil e tranqüilo. Já na prática, costumam sempre aparecer várias dificuldades, sendo que duas são muito comuns. A primeira é encontrar uma pessoa que seja de confiança e que esteja em condições de investir na sua idéia.
A segunda dificuldade é convencer o dono da idéia a dividir com equilíbrio a oportunidade que tem nas mãos. Tenho observado que muitos empreendedores não conseguem explorar o potencial que tem pela ganância de não aceitar dividir o que sabem. Isso mesmo, ganância! Assim, a dica de hoje é para que os empreendedores sempre lembrem do ditado que afirma: às vezes, é melhor dividir para conseguir multiplicar.
Por que é tão difícil conseguir um financiamento para minha idéia?
Ao analisar o potencial que têm nas mãos, muitos empreendedores passam a atribuir um valor muito grande para a sua idéia, ao mesmo tempo em que consideram o capital necessário um mero instrumento de viabilidade. Por pensar assim, geralmente esses empreendedores tentam conseguir empréstimos para implantar sozinhos um novo negócio. E vem a primeira frustração. De banco em banco escutam a mesma resposta: precisamos de garantias para poder lhe emprestar o valor solicitado. O empreendedor fica revoltado, pois a única coisa que ele pede é um voto de confiança e nada mais.
Acontece que, quando o banco pergunta sobre o seu projeto, a resposta costuma ser, mais ou menos, a seguinte “primeiro garantam que vão liberar o dinheiro que lhes conto onde está o segredo da minha empresa”. Esse é o tipo de relação que não leva a lugar algum. E mais: ao responder desta forma o empreendedor está sinalizando para o banco que ele não tem tudo efetivamente sob controle. A imagem que ele passa é de alguém que se agarrou a uma idéia, sem analisar todos os aspectos envolvidos.
É importante ressaltar que esta coluna não se propõe a uma discussão ideológica sobre o capitalismo. Ela apenas apresenta um olhar sobre a realidade enfrentada diariamente pelas empresas. Por conta disso, é preciso que os empreendedores entendam que, assim como sua idéia é maravilhosa e tem um retorno garantido, outras tantas empresas que faliram também apresentavam a mesma promessa de sucesso. Logo, a dica é elaborar um minucioso planejamento do negócio que se pretende realizar. Pondere sobre todos os riscos envolvidos e questione cada uma possibilidades para ter certeza que são consistentes.
Resumindo: se qualquer atividade empresarial já exige um bom planejamento, em se tratando de um grande negócio, os cuidados devem redobrados e não diminuídos.
É justo ter que dividir uma grande idéia com alguém que entrou apenas com dinheiro?
Existe uma espécie de ciclo que um empreendedor obedece quando tem uma grande idéia nas mãos. Primeiro ele tenta trabalhar sozinho, pedindo empréstimos junto aos bancos. Na maioria dos casos, ele acaba não reunindo as condições exigidas para a liberação do dinheiro. Como todo bom empreendedor, ele não desiste.
Resolve encontrar um sócio que posso investir e “ganhar dinheiro” com a sua idéia. Para ele, esse sócio é um privilegiado, pois terá a oportunidade de “ganhar” uma parte da sua empresa apenas colocando um pouco de dinheiro. E ainda, com um retorno garantido pois a sua idéia é sensacional. E lá vai ele pedindo recursos para abrir a sua empresa, oferecendo em troca uma pequena participação societária. A proposta é, mais ou menos, a seguinte: “coloque o dinheiro na empresa e deixe que eu faço o resto”. E novamente vem a decepção. O investidor exige muito mais do que ele está disposto a oferecer.
Para o empreendedor, o investidor está tentando se aproveitar da situação. “Ele deseja metade da minha empresa. Isso é injusto”, pensa o empreendedor. De forma prática, o mundo empresarial nada mais é do que um conjunto de apostadores. Gente que aposta um valor em busca de um determinado retorno. Uma empresa é a aposta dos seus criadores de que atingirá um determinado desempenho que compensará o risco assumido.
Sendo assim, a dica é para que o empreendedor olhe para a parte que vai ficar com ele e não para a parte que o outro vai conquistar. É fato que uma boa idéia nasce da perspicácia de quem a concebeu e não do saldo bancário que a pessoa tem. Porém, também é fato que uma grande idéia sem a devida condição financeira para implantação, não serve para muita coisa. Afinal, o que é melhor: ser o único dono de pouco, ou ter uma pequena porcentagem de muito?Pense nisso!
Um sócio pode ser a solução dos problemas enfrentados pela empresa?
Há um fator muito importante na hora de montar uma sociedade. É ter noção do verdadeiro papel de um sócio. Muitos empreendedores cometem esse erro. Eles desejam um sócio apenas pela necessidade de ter alguém que conserte o que vem dando errado. E nada como um exemplo para demonstrar essa idéia. João tinha uma pequena empresa. Não tinha sócios e desde abrira o seu negócio, vinha enfrentando muitos problemas financeiros.
Trabalhava sem parar. Ainda assim, não conseguia ver resultados e sair do endividamento. Cansado desta situação, procurou um sócio que tivesse o talento de equilibrar as finanças de uma empresa. De tanto procurar, encontrou a pessoa ideal. Era José, formado em economia, com larga experiência em gestão financeira e com o mesmo espírito empreendedor que João. Depois de uma análise superficial sobre o potencial da empresa, o economista finalmente aceitou se tornar sócio de João.
Efetivamente, o novo sócio era um profissional competente. Em pouco tempo José conseguiu acabar com muitos desperdícios na linha de produção e melhorar a rentabilidade dos negócios. Mas, foi justamente quando o novo sócio descobriu a causa de tantos problemas financeiros, que a sociedade terminou. Era João, o empreendedor que criou aquele negócio, que gerava todos os problemas para a empresa. Aliás, ele não nunca aceitou sequer falar sobre isso. Cada tentativa de conversa proposta por José logo se transformava numa verdadeira discussão. O bom relacionamento entre os sócios acabou em pouco tempo, assim como não demorou a que João comprasse a parte do sócio e voltasse ao início. É por isso que a recomendação de hoje é curta e objetiva: não procure um sócio para resolver apenas os problemas. Procure um sócio que possa acabar também, com as causas dos problemas.
Por que as pessoas costumam comparar uma sociedade com o casamento?
A comparação de uma sociedade empresarial com o casamento depende de uma única resposta: qual é o conceito que a pessoa tem sobre o casamento? Explico. Para algumas pessoas, o casamento é o tipo de sociedade eterna, onde as vontades individuais devem ser colocadas em segundo plano. Ou seja, é uma relação marcada pela perda da liberdade individual aonde as coisas vão se tornando cada vez mais difíceis e complexas.
A idéia predominante é que o casamento é a limitação do crescimento individual. Mas, há outras pessoas, que não vêem o casamento sob esta ótica. Para elas, o casamento é a união de esforços. É o encontro das características de cada um e que gera como resultados uma atuação sinérgica e constante. Para esses indivíduos, o casamento significa crescimento. Ele possibilita o progresso através do equilíbrio de talentos. Diante destes dois perfis de análise completamente diferentes, pode-se agora, comparar o casamento com uma sociedade empresarial.
Para alguns, ter um sócio significa limitação de poder. É ter a obrigação de conviver com uma pessoa que não pensa da mesma forma que você. Por conta das divergências, o crescimento da empresa fica limitado. Ou seja, o que um sócio deseja, o outro acaba invalidando. Já para aqueles que entendem o casamento como algo positivo, compará-lo com uma sociedade empresarial significa enaltecer o valor de um sócio. É considerar a diversidade de opiniões como o principal valor. Ou seja, é o talento do sócio que faz com que a impetuosidade e a ponderação gerem decisões sábias e corretas.
É por isso que a recomendação de hoje se resumo no seguinte: lembre-se que tanto no casamento, quanto em uma sociedade empresarial, o respeito e a aceitação dos limites e talentos da outra parte é o caminho mais seguro para uma relação duradoura.
Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente.
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