Será que santo de casa não faz milagres?
Tenho observado que muitos empresários não acreditam realmente no potencial de suas empresas. Infelizmente, essa mania de não dar crédito a tudo que é local acaba prejudicando não só a própria empresa, como toda a sociedade. Note que para uma pessoa que analisa as empresas brasileiras com uma visão pessimista, pode parecer natural que as grandes potencias mundiais apresentem mais desenvolvimento tecnológico que nós, meros gestores do terceiro mundo.
Algumas empresas nacionais não evoluem na tecnologia que utilizam porque seus administradores não acreditam que é possível melhorar. Eles pensam que seus funcionários não têm a capacidade de desenvolver pesquisas e novas tecnologias. Porém, vale perguntar: desde quando pensar com criatividade tem custo? Será que o trabalhador brasileiro não tem capacidade ou simplesmente não é incentivado?
Vamos a um exemplo: em uma determinada empresa, o funcionário percebe que já existe no mercado uma tecnologia superior à que sua empresa vem utilizando. Imediatamente, ele procura sua chefia todo motivado para sugerir uma atualização tecnológica na empresa. Mas a resposta que ele recebe é simples e direta: “Preocupe-se com sua função e deixe para nós, gestores, essa responsabilidade”. Enquanto isso, aquele concorrente que nunca sequer foi considerado como uma ameaça está agindo.
A dica de hoje é para que os empresários e gestores passem a valorizar mais os comentários e contribuições que recebem de dentro da própria empresa. E, principalmente, que os gestores deixem de acreditar em tudo que os concorrentes falam. Afinal, se o seu concorrente estivesse tão comprometido em lhe ajudar, ele fecharia a própria empresa para não lhe causar problemas com concorrência!
E se o funcionário não acredita na capacidade da empresa?
Quando o funcionário não acredita na capacidade da sua empresa de gerar novos negócios, a responsabilidade é da chefia, afinal um colaborador pode construir um conceito sobre a empresa em que trabalha a partir de duas óticas.
A primeira é o tipo de relacionamento entre o funcionário e a empresa, é que se esta cuida bem dos funcionários vai gozar de um bom conceito, já se trata mal terá problemas no conceito que o funcionário tem sobre o valor de onde trabalham.
O segundo fator que influencia no conceito da empresa é o volume de informações que a organização disponibiliza para seus colaboradores. Um exemplo é quando uma empresa lança um programa de incentivo e premiação de novas idéias no trabalho, entretanto apesar dos prêmios envolvidos e da campanha de sensibilização que foi efetuada, poucos funcionários apresentaram propostas e sugestões.
É nessa hora que o empresário deve se questionar se os funcionários confiam realmente na capacidade da empresa de gerar novos negócios. Em um primeiro momento a conclusão desta gestão é muito simples. Os funcionários não têm capacidade de sugerir inovações, agora o verdadeiro motivo pode ser a crença dos próprios funcionários de que é a empresa que não tem capacidade para colocar em prática as inovações que eles podem sugerir.
A partir deste raciocínio um funcionário acaba limitando seu horizonte de sugestões dentro das possibilidades que a empresa apresenta naquele momento, para esse funcionário se o histórico da empresa é o de realizar somente pequenas inovações, nada mais natural que as sugestões sejam pequenas também. A recomendação de hoje portanto, é a seguinte. Se um funcionário não acredita na capacidade da empresa, cabe ao gestor corrigir esse raciocínio apresentando toda a sua disposição para inovar. Lembre-se: para destravar toda uma estrutura, comece destravando cada uma das engrenagens, inclusive a sua.
Por que alguns profissionais com ótimo currículo acadêmico não conseguem emprego?
Tenho observado que muitos empresários e gestores têm a falsa crença que um excelente currículo escolar é realmente garantia de competência profissional. Essa crença tem feito com que bons profissionais fossem descartados do processo de recrutamento, sem mesmo ter a chance de provar o quanto a experiência acumulada poderia ser valiosa para a empresa.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o estudo tem muito valor, e que diplomas, títulos e os diversos anos nos bancos escolares devem ser valorizados. Porém, tudo isso deve vir acompanhado da capacidade de transformar o conhecimento que se adquiriu em ações práticas e que geram resultado no dia-a-dia. Eu costumo chamar esse efeito de taxa de conversão, que é a capacidade que uma pessoa ou até mesmo uma empresa têm de transformar todo conhecimento adquirido em um diferencial de mercado, ou seja, em negócios.
De certa forma, a maioria dos profissionais já costuma utilizar esse conceito nos processos de recrutamento de funcionários de uma forma empírica, ou seja, não declarada. Isso porque não é difícil encontrar pessoas que podem ser chamadas de teóricas devido à sua incapacidade de realizar o que aconselham, falam ou defendem. Uma boa prova é o fato de um recrutador acabar desistindo de um determinado candidato porque ele não demonstra a mínima capacidade para transformar o que sabe em ações práticas. É a taxa de conversão que determina o quanto o estudo foi válido. Também é ela que determina o tempo de permanência de um profissional em um determinado cargo e, até mesmo, se ele dever ser promovido na carreira. Por isso, lembre-se: tão importante quanto saber, é SABER FAZER!
A experiência vale mais que o conhecimento?
Não é correto estabelecer uma relação de exclusão entre conhecimento e experiência. Afinal, estas são qualidades que se complementam. Logo, o que deve ser questionado é a capacidade que o profissional tem de transformar o que aprendeu nos bancos escolares em ações práticas para a empresa.
Analise o seguinte exemplo: com dezoito anos de idade, João optou por dedicar-se plenamente aos estudos e, com isso, se preparar para, no futuro, atuar profissionalmente nas empresas de sua família. Depois da faculdade, cursou pós-graduação. Agora sente-se preparado para começar sua carreira profissional. O problema é que, justamente quando concluiu os estudos, seu pai veio a falecer e ele foi alçado ao cargo de principal gestor da empresa.
Embora conhecedor de muitos conceitos, faltava ao João o ensinamento que somente os erros podem oferecer. Isso mesmo! Faz parte do processo de formação profissional os erros cometidos, os equívocos praticados. São eles que estabelecem um referencial importante para os acertos futuros. Por conta dos sucessivos prejuízos acumulados, as empresas da família de João foram à falência. Hoje ele trabalha para José, seu amigo de estudos, que conseguiu assumir os negócios da família porque desde cedo teve que compatibilizar os estudos com o trabalho.
Note que o erro de João foi desprezar a possibilidade de adquirir experiência profissional trabalhando desde cedo nos negócios da empresa, por acreditar que somente o estudo basta. Por isso, a recomendação de hoje é para que os profissionais procurem investir em suas carreiras de uma forma equilibrada, valorizando o estudo sem deixar de lado a necessidade da experiência.
Como posso saber se já tenho experiência suficiente?
Quando o assunto é experiência, duas lições não podem ser esquecidas. A primeira é que apenas não é suficiente para garantir o sucesso de um profissional, é importante ter também conhecimento teórico que ajude a pessoa a potencializar essa experiência para o crescimento. Já a segunda lição importante é que a experiência jamais vai atingir um ponto de saturação, isso significa dizer que o aprendizado e a experiência devem ser contínuos e nunca pode ter fim.
Acontece que alguns profissionais acreditam, erroneamente, que já atingiram um ponto ideal de experiência na vida. Eles acham que já viram de tudo, e é justamente por conta disso que começam a praticar erros básicos no ambiente de trabalho. Isso explica por que algumas empresas, como os bancos por exemplo, entendem que é necessário transferir seus gerentes de localidade de tempos em tempos.
O objetivo é simples: não permitir que os vícios pessoais sejam incorporados no ambiente da empresa ou que a memória daquele gestor acabe impedindo o banco de fazer novos negócios. No fundo o banco quer evitar que o gerente ache que conhece completamente a região onde atua, e acabe negando crédito, excluindo a empresa de boas negociações. Da mesma forma um profissional consciente deve avaliar de tempos em tempos se sua experiência não está defasada ou se ele não está tentando fazer com que uma situação do passado a única forma de resolver um problema no futuro. Confiar que a experiência acumulada basta para garantir o presente, significa não reconhecer que as coisas evoluem e que elas se alteram ao longo do tempo. Significa na verdade, ficar para trás.
Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente.
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