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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

04/06/2007 01:00

Fuja da monotonia

Por Luciano Salamacha


O caminho da monotonia!

No começo tudo era maravilhoso. O trabalho empolgava, os desafios eram muitos e cada conquista era festejada como um licor que deve ser tomado até a última gota. Porém, com o passar do tempo, as dificuldades foram se tornando pequenas diante da experiência acumulada. O que antes assustava agora não passa de detalhes simples de resolver. Para complicar ainda mais a situação, a chefia também está contente com o desempenho que você vem apresentando, ou seja, o seu superior não é um agente que está interessado em explorar ainda mais o seu potencial. Ao contrário.

O que o chefe quer é justamente que você agora pare de querer crescer, que não complique a vida dele com a busca de novos desafios. Em síntese, ele quer que você se limite a cumprir sua função na empresa e pronto. Afinal, foi para isso que ele o contratou: para que aquela atividade possa ser esquecida por ele porque você dá conta do recado. E o problema está justamente neste ponto: enquanto o chefe quer esquecer, você quer continuar a crescer.

Por mais paradoxal que pareça o que a empresa prega pode estar distante do que ela demonstra na prática. De um lado a missão e os valores da organização pregam a inovação enquanto que, do outro, os gestores incentivam os funcionários a se limitarem às obrigações da função. É por isso que a recomendação de hoje é para que os gestores passem a observar se a sua busca pessoal em ter uma equipe estável e tranqüila não está provocando um processo de perda da motivação dos funcionários.

Lembre-se que, em alguns casos, identificar um problema quando está no começo é a única forma de evitar que se percam grandes talentos e, o que é pior, que o próprio gestor perca o seu cargo na empresa. Pense nisso!

A culpa da monotonia da equipe pode ser do chefe?

É comum na carreira de todos os profissionais que um determinado momento possa parecer que tudo acabou sendo monótono e caindo na rotina. É aquela hora em que o profissional acha que está apenas repetindo coisas sem importância e que já não tem mais objetivos ou desafios para serem perseguidos.

Pois bem, isso aconteceu com meu amigo José Carlos quando trabalhava em uma grande indústria de confecção. Passados quase dois anos de trabalho o José Carlos não sentia o mesmo ímpeto, a mesma vontade de ir trabalhar, e o motivo era claro: ele não sentia mais a necessidade de superar desafios, tudo agora era uma questão de repetir diariamente as mesmas funções.

Acontece que José Carlos começou a reclamar que o seu chefe não dava oportunidades novas para ele, na cabeça dele tudo era simples: bastava o chefe perceber que ele tinha vontade e talento ainda a ser explorado. O que José Carlos não sabia é que a monotonia também acontece por culpa do próprio funcionário. Eu explico. É que em alguns casos um profissional deve ter consciência que a clara demonstração de competência é quando a pessoa não se deixa envolver pela rotina, ou seja, quando ela encara a rotina como um desafio diário, é a própria pessoa que encara de maneira diferente aquilo que todo dia acontece no ambiente de trabalho. Resumindo, um profissional deve entender que a empresa precisa de sinais de competência a todo instante e um deles é o profissional não se deixar levar pela rotina, e ao contrário, demonstrar que a rotina também pode ser um grande desafio.

Como crescer se não há perspectiva na rotina que executo diariamente?

Não se pode confundir perspectivas de crescimento profissional na carreira com oportunidades na empresa onde se trabalha. Perspectivas na carreira profissional são muito maiores do que simplesmente um emprego que se tem hoje; eu conheço pessoas que por conta de um bom salário que estão recebendo hoje acham que toda sua carreira profissional deverá ser desenvolvida apenas naquela empresa. Esse é um risco alto e que deve ser evitado, primeiro porque aquilo que está bom hoje pode não significar o ótimo amanhã.

Algumas empresas são ditadas de acordo com as políticas sazonais, ou seja, de acordo com uma safra ou até mesmo o perfil do presidente do momento. Por isso um profissional não deve restringir toda sua perspectiva de crescimento a apenas um bom salário e a uma empresa estável, ele deve concentrar toda sua estabilidade profissional nas competências que tem. Especificamente isso quer dizer que quando um profissional encontra um trabalho rotineiro no qual a chefia não permite perspectivas de crescimento, por que a chefia gostou da rotina, um cuidado deve ser tomado.

A pessoa deve concentrar toda sua energia em um único plano, o pessoal e não o daquela empresa. O plano pessoal, chamado plano A deve englobar todas as suas perspectivas de onde você quer chegar em sua carreira, independentemente da empresa onde você estiver. Já o plano B é como você consegue fazer tudo isso contido no plano A, na empresa onde está hoje.

Resumindo, se a empresa em que você trabalha hoje oferece um bom salário e grande estabilidade, mas se a chefia não ajuda, só há um caminho a seguir: continuar com seu plano de desenvolvimento profissional independentemente da empresa onde estiver. Não tente primeiro mudar, pedir demissão para depois descobrir que não está tão qualificado assim.

O que fazer para crescer quando é a chefia que está acomodada?

Quando um profissional está convicto de que todo o seu futuro profissional deve ser desenvolvido naquela empresa, mas ao mesmo tempo encontra uma barreira significativa que é a morosidade, a monotonia e a rotina que o chefe tem, só há um caminho a seguir: confeccionar currículos e distribuir no mercado. Pelo menos é isso que conta uma lenda do meio corporativo e que tenta ilustrar quanto a criatividade é importante nessas horas.

Um determinado funcionário era apaixonado pela empresa onde trabalhava e também pelas atividades que desempenhava no dia-a-dia o problema é que sua chefia não gostava de incentivá-lo a crescer, pelo contrário a chefia queria apenas que ele se limitasse a cumprir as obrigações da sua função; só que o profissional agindo com criatividade e iniciativa não pensou duas vezes: confeccionou um belo e atrativo currículo e começou a distribuir para o mercado.

Após alguns meses veio a surpresa. Seu chefe foi contratado por uma outra empresa do mesmo setor e agora a vaga de liderança estava livre. Como ele nunca se acomodou e sempre demonstrou paixão pela empresa em que trabalhava, acabou sendo promovido. Qual foi a ação que esse profissional tomou que repercutiu tão bem em sua carreira? Simples, ele confeccionou currículos não para ele, mas sim currículos da sua chefia. O que ele fez foi chamar a atenção do mercado para o quanto era importante contratarem o seu chefe, deixando assim o caminho livre para que ele pudesse crescer. Resumindo, quando você está apaixonado pela empresa onde trabalha e uma chefia que não permita que você cresça, a criatividade pode ser muito mais vantajosa do que o embate.

Como combater a monotonia do meu chefe?

Quando o assunto é o comportamento apático, rotineiro e monótono da chefia, um profissional deve tomar muito cuidado antes de querer agir. Primeiro é importante entender qual é a origem desta monotonia, é que de um lado a monotonia pode ser fruto de uma acomodação natural, mas não do perfil da pessoa, aquele profissional que hoje exerce um cargo de liderança sempre foi uma pessoa motivada e impulsionada em resolver desafios.

Acontece que com o passar do tempo o dia-a-dia e as rotinas corporativas o fizeram deixar de lado esse impulso e acabaram levando-o à acomodação. Entretanto, o perfil dele não é esse. O perfil dele está pronto para ser reativado se a equipe o estimular a criar novos desafios no seu dia-a-dia. Já do outro lado a acomodação da chefia pode ser fruto do seu perfil, pode ser de uma pessoa que não está mais disposta a ser impulsionada por objetivos maiores e de difícil alcance.

Nestes casos a equipe deve ser extremamente ponderada; deve entender que não adianta nada forçar a natureza do colega que hoje exerce um cargo de liderança. Ao contrário, a equipe deve ponderar quanto tempo vai durar aquele tipo de chefe na empresa. Nessas horas é que a própria direção da empresa busca na equipe um profissional que demonstre qualidades que aquela chefia não tem. É nessas horas também que muitos profissionais acabam cometendo um erro ao dizer o seguinte: eu só vou voltar a ser pró ativo e ter iniciativa quando eu tiver uma chefia compatível com o meu perfil.

Aí cria-se o dilema do meio empresarial. A direção busca pessoas que são pró-ativas independente da chefia que tem, enquanto o profissional diz que sovai agir assim quando tiver uma chefia que o estimule.





Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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