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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

12/06/2007 01:00

Por que não tentar?

Por Luciano Salamacha


Você sempre tem um motivo para não tentar?

No mundo empresarial, um profissional começa a lutar pela sua carreira muito cedo. É justamente no início de nossa vida no mercado de trabalho que apresentamos o maior nível de motivação para toda e qualquer situação. Acontece que, com o passar do tempo, algumas pessoas acabam permitindo que certos vícios sejam incorporados no dia-a-dia na empresa.

Por conseqüência, o comportamento vai deixando de ser motivado para ser o que vulgarmente se diz no meio empresarial como “um funcionário sem sal ou açúcar”. Ou seja, a pessoa já não luta mais para conquistar posições ou em construir uma carreira vitoriosa. Esse indivíduo passa a buscar justificativas para sua indecisão, apresentando sempre um obstáculo que o impede de agir ou crescer. E quando alguém consegue eliminar tal obstáculo, a pessoa já apresenta uma longa e diversificada lista de outros motivos para justificar a sua inércia.

Como defesa esse indivíduo alega sempre estar sendo comedido e ponderado antes de agir como um inconseqüente. Essa pessoa costuma sempre utilizar frases do tipo “Bem, se eu soubesse que seria assim é claro que eu teria aceito...” ou “ Como eu saberia que daria certo?”. A dica para essas pessoas que ficam nesse famoso saudosismo é justamente voltar ao encantamento que tinham no começo da carreira profissional.

Algumas pessoas nunca perdem a vontade de realizar cada vez mais em sua vida profissional, não por buscarem reconhecimento externo, mas sim, pela necessidade de saciar a própria sede de superação. Logo, antes de tentar agradar aos outros, procure agradar a si mesmo primeiro. É como diz aquele ditado popular “Quando não houver mais nenhuma desculpa para não fazer uma tarefa, a pessoa alegará falta de motivo que justifique fazer aquela tarefa”.

A proposta profissional irrecusável e a vida familiar: o que fazer?

Para entender melhor essa questão, vamos analisar o exemplo recebido por e-mail de um leitor desta coluna. Seu irmão, que nesta análise atribuo o pseudônimo João, é um jovem jornalista e que acaba de receber uma proposta única na sua vida profissional: assumir uma função em uma importante empresa no Rio de Janeiro e com um salário quase dez vezes maior que o atual.

João mora atualmente com a mãe que é portadora de um câncer incurável e carece de cuidados. Caso João aceite a proposta, pode contar com seus irmãos para assumir a tarefa de cuidar da mãe enferma. No e-mail, ainda se informa que a mãe deseja e incentiva o filho a aceitar a proposta, mas que ele (João), teme arrepender-se mais tarde de não ter ficado perto de sua mãe em troca de uma boa carreira profissional. Aí vem a grande questão: O que ele deve fazer? A dica que desejo enviar para o João é que realmente é nobre sua ponderação de dar atenção à mãe.

Entretanto, costumo lembrar sempre às pessoas que: “antes de ser altruísta, procure não ser egoísta”. No caso específico de hoje, João está inclinado a desistir de uma proposta de emprego por se sentir responsável em cuidar da mãe enferma. Acontece que ele não está ponderando a vontade de quem vai receber sua boa ação, é a sua mãe. Como se percebe, João está colocando o bem estar de sua mãe em primeiro lugar, mas está esquecendo que aceitar a proposta de trabalho é justamente o desejo de sua mãe. Assim, se o João desistir e ficar, não só deixará sua mãe triste como também poderá se arrepender amargamente no futuro de não ter aproveitado a grande chance de sua vida. Respondendo objetivamente ao seu questionamento, minha opinião é que você deve ir à busca do seu sonho, aceitando a proposta. Lembre-se que, antes de querer fazer o bem aos outros, é necessário se perguntar se os outros desejam receber a ajuda que queremos dar.

Antes de ser altruísta, procure não ser egoísta!

Sempre costumo lembrar aos empresários de que: “Antes de ser altruísta, procure não ser egoísta”. No mundo empresarial, é comum encontrar gestores empenhados em auxiliar seus funcionários. E para fazer isso, investem consideráveis somas de recursos em programas voltados para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que trabalham na empresa.

Alguns exemplos podem ser facilmente apresentados como as salas de relaxamento onde os funcionários descansam tranqüilamente por alguns minutos com musicas para reflexão, livros de auto-ajuda como presentes, os programas de massagens no ambiente de trabalho, entre outros. Acontece que, apesar dos esforços e recursos físicos e financeiros aplicados, os resultados nem sempre têm sido satisfatórios.

E aí vem o empresário se queixando com alegações do tipo: “Não adianta querer tratar bem as pessoas. Elas não se empolgam ou aderem a um programa que só vai lhes trazer benefícios!”. Fatalmente nestes casos, o programa vai perdendo força e tudo volta ao que era antes na empresa.

Onde está erro numa situação como essa? Por que os funcionários não se empolgam? Eu tento responder estas questões, lembrando que algumas pessoas ficam mais preocupadas em fazer o que consideram bom e justo para os outros, do que propriamente em fazer aquilo que os outros realmente necessitam. Todo esforço somente será considerado válido se atender a uma necessidade existente.

A dica é justamente para que os gestores efetuem primeiro um levantamento de necessidades para, somente depois, implementarem um programa de benefícios. Já vi casos em que um levantamento das necessidades dos funcionários apontou para questões extremamente simples como a colocação de um bebedouro no ambiente de fábrica ao invés de grandes investimentos, por exemplo. E não esqueça: a simplicidade e a validade de um levantamento de necessidades não está em fazer as perguntas, mas sim, em querer ouvir as respostas.




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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