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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

31/08/2007 11:00

Arrependimento sincero

Por Luciano Salamacha


Como saber se um arrependimento é sincero?

O que é arrepender-se?

O arrependimento é um nobre sentimento do ser humano. É uma demonstração de caráter e autocrítica. Para que ele exista é necessário que um profissional mantenha postura realmente humilde em relação ao problema. Caso contrário, em vez de refletir sobre sua própria conduta, a pessoa acaba utilizando o termo arrependimento para procurar culpados na empresa.

Deturpando o conceito

Infelizmente, há pessoas que confundem arrependimento de ter feito algo com o motivo do insucesso. É que o conceito básico do arrependimento é ponderar que atitude praticada no passado deveria ter sido ponderada melhor. O que eu poderia ter realizado se tivesse ponderado um pouquinho mais. Já quando alguém afirma que “se arrepende de ter confiado no outro”, está projetando a culpa sobre sua atitude na conduta alheia, e não em si mesmo.

O caminho
Basicamente, arrepender-se é analisar o que você poderia ter realizado de forma diferente, caso tivesse refletido mais a respeito quando agiu. Porém, lembre-se: caso tivesse ponderado com as informações que dispunha na época e, principalmente, com o estado de maturidade, ou seja, com o conhecimento que tinha naquele momento.


A nobreza do arrependimento pode ser ruim para uma equipe?

O peso da autocrítica
O arrependimento parece ser um atributo automático de toda pessoa autocrítica. Até aí, sem problemas. A questão complica quando o indivíduo torna a autocrítica um elemento condenatório sobre seus atos. Isto é, quando todos os acertos do período são esquecidos e somente aquele determinado erro é enxergado.

Cuidado com o estresse
Geralmente, os autocríticos são demasiadamente rigorosos consigo. Não perdoam facilmente suas falhas e cobram de si a perfeição nas atitudes já praticadas. Esquecem que são seres humanos e passam a utilizar a bandeira do arrependimento sobre tudo que já fizeram. Um exemplo típico é do profissional extremamente competente em sua função, mas que ao identificar o erro praticado, diz que se arrepende de trabalhar naquela função por ser um desqualificado.

Compreendendo a si mesmo
A saída é compreender mais a si mesmo. Agir com o mesmo grau de benevolência com que age com os colegas. Geralmente, o autocrítico é mais duro consigo do que com os demais. É que o desejo de sempre acertar e fazer o seu melhor, acaba eliminando um fator fundamental para o sucesso de um profissional: a possibilidade de errar.


Como orientar pessoas que agem e depois se arrependem com facilidade?

É possível ensinar tudo?
No meio corporativo, ensinar uma técnica ou procedimento é algo relativamente simples. Primeiro estabelece-se um treinamento para permita aos participantes conhecer sobre o assunto escolhido. Depois, criam-se condições para que as pessoas exercitem na prática o conhecimento que adquiram. Até aí, tudo bem. O problema começa de verdade quando se exige que as pessoas ajam de acordo com o que aprenderam.

Ensinando a ter caráter?
Note que o desafio não está em transmitir conhecimento ou certificar-se se a pessoa é capaz de agir de uma maneira diferenciada. A grande questão é: como fazer com que aquele funcionário tenha uma atitude realmente positiva no seu dia-a-dia. É que as atitudes são influenciadas não apenas pelo conhecimento que se tem, mas principalmente, pelo caráter de cada um.

Adianta insistir?
A recomendação para os gestores que reclamam que seus funcionários têm conhecimento pleno sobre o que deve ser feito e que, inclusive, sabem exatamente como agir porque já tiveram a oportunidade de aprender na prática é muito simples: deixe de se preocupar com as atitudes que eles têm e passe a se questionar se eles têm o caráter necessário para agir da maneira que você espera.


Arrepender-se e tentar consertar pode ser pior?

O preço de um arrependimento
Arrepender-se apenas não basta, é preciso corrigir efetivamente o erro. Entretanto, algumas pessoas cometem mais erros ao tentar consertar determinado problema que causaram. A ânsia de corrigir o erro pode acabar complicando ainda mais a situação.

O mau exemplo
Um bom exemplo de precipitação é o caso do profissional que em um momento de raiva responde grosseiramente a um colega. A ofensa é clara e inequívoca. Sabendo que realmente ultrapassou os limites, tenta voltar ao assunto com o ofendido alguns minutos após o ocorrido. No entanto, magoada, a pessoa agora não quer saber de conversa.

Aprendendo a corrigir
Note que a impulsividade de uma ação, baseada exclusivamente na emoção e não na razão, provocou o tumulto. Mas, um novo impulso - o de consertar o problema gerado - pode acarretar um novo erro. Simples: a pessoa está mais preocupada em resolver sua própria crise de consciência do que tornar a vida do ofendido melhor. Logo, quando o arrependimento chegar não esqueça: primeiro pense na outra parte, depois em si mesmo.


Como corrigir um erro que cometi?

Analise o sentimento da outra parte
O passo fundamental para consertar um erro cometido ou uma situação desagradável da qual se arrependeu, é analisar como a outra parte se sente. Na maioria dos casos, a principal preocupação de quem ofende está bem mais focada em acabar com a sensação de culpa do que, propriamente, em resolver o problema que causou ao outro.

Humildade é tudo
Tenha humildade para identificar o tamanho do dano causado antes de partir para a ação. Para que isso seja possível é preciso desprender-se das desculpas prontas. Um bom exemplo é o daquela pessoa que pergunta aos colegas se realmente estava errada, preocupa-se mais em justificar sua atitude do que entender o tamanho do problema que criou.

Excesso também é problema
Foi o que aconteceu com meu amigo José. Ao pedir desculpas e tentar justificar-se aumentou a ofensa ao invés de amenizar a situação. Por isso, muito cuidado na hora de agir, pois um mau mapeamento da situação pode complicar ainda mais a situação.




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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