Nem homem nem nação podem existir sem uma ideia sublime.
"A derrota é consequência natural da tentativa, o sucesso leva tempo e um esforço prolongado frente a obstáculos inesperados que eventualmente aparecem pela frente. Pensar que as coisas serão de outra maneira, não importa o que você faça, é convidar a si mesmo a se sentir frustrado, e limitar o seu entusiasmo em tentar novamente. " Tolstoi, Primores do Conto Universal.
Querida(o) Amiga(o),
Enquanto os meus bisavós ainda eram vivos, eu costumava passar muitos finais de semana em Tambaú, uma pequena cidade de 23 mil habitantes no interior de São Paulo que nos anos cinquenta do século passado ficou conhecida em todo o Brasil devido aos milagres do Padre Donizetti. Na época do padre, mais de quatro milhões de pessoas estiveram em Tambaú para serem abençoadas por ele. Por conta disso, e outras coisas que desconhecemos, a cidade tem uma ligação muito forte com a fé.
De uns anos para cá, inspirado na trilha que leva os peregrinos para Santiago de Compostela, foi criado em Tambaú, o Caminho da Fé, uma rota de 415 km que passa por 19 cidades do estado de São Paulo e Sul de Minas e termina em Aparecida do Norte. O caminho é marcado por pequenas setas amarelas pintadas em pedra, árvores e postes para orientar os peregrinos, passando por vilarejos, rios, bosques, subindo e descendo montanhas.
A versão Brasileira do caminho de Santiago de Compostela promove o encontro imaginário do Padre Milagroso “Padre Donizetti”, com sua santa de devoção Nossa Senhora Aparecida em Aparecida do Norte. Como na Espanha, os peregrinos recebem em Tambaú um passaporte oficializado pela igreja para que no final da caminhada o peregrino ao concluir o Caminho receba o Certificado de Peregrino Mariano.
O meu pai nasceu no Sul de Minas Gerais, mas cedo foi para Tambaú onde cresceu na casa dos seus avôs. O meu bisavô, Jose Gatto, foi prefeito de Tambaú por diversas vezes. Ele era empreendedor, visionário, e foi responsável pela modernização da cidade, e diversas obras de infra-estrutura. Hoje ele tem o busto na praça principal, e o seu nome foi dado a principal avenida de Tambaú. A sua casa, construída nos anos trinta, onde eu passei dezenas de finais de semana com os meus pais, hoje pertence à cidade de Tambaú e foi transformada em seu museu.
Tambaú tem alguma coisa. Algo me emociona sempre que vou lá. Sempre choro na hora de ir embora. Não sei explicar o por que. Eu sempre fui muito ligado a minha avó paterna, que tinha aquela cidade como o seu berço. Eu só tenho recordações carinhosas dos dias que passei por lá com a minha avó, padrinhos, pais e família. Tempos de brincar com estilingue, andar de rolimã, brincar de esconde esconde no porão da casa, me esbaldar com as balas Chita. A primeira coisa que eu fazia quando chegava a Tambaú era correr até a vendinha da cidade para comprar um pacotinho de balas Chita. A melhor bala de todos os tempos.
Mas, tudo na vida passa. Nós crescemos, as prioridades mudam, a família envelhece, e eventualmente, as pessoas que mais gostamos morrem.
Foi assim com a Tia Julieta.
Tia Julieta, irmã da minha avó, foi a única entre as oito irmãs que nunca se casou. Tinha idéias muita avançadas para a sua época. Era política, fumava, falava grosso, tinha opinião sobre tudo, lia bastante, viajava sempre que podia para algum lugar, às vezes sozinha, às vezes acompanhada de uma das irmãs que conseguira dobrar o marido para se aventurar em algum lugar do mundo. Nos anos setenta ela levou a minha avó para a Europa, coisa que o meu avô na época não tinha qualquer vontade em fazer.
"Ricardo, sua tia Julieta morreu", disse a minha mãe quando eu tinha uns treze anos de idade, "Nós precisamos ir até Tambaú com a sua avó nesse final de semana para ajudá-la com as coisas da sua tia.".
A morte da Tia Julieta voltou a reunir todos os familiares em Tambaú. Quando chegamos à casa do meu bisavô, a casa onde eu passei dezenas de finais de semana, a casa onde a Tia Julieta viveu e morreu, já não tinha lugar para sentar.
Todas as irmãs da minha avó estavam no quarto da minha tia arrumando as suas coisas e relembrando os momentos que passaram juntas; enquanto isso, os membros mais jovens das famílias se abraçavam e confraternizavam do lado de fora.
"Rica, você pode ir brincar lá fora, não precisa perder o seu tempo aqui com esse bando de velhas, se precisar de alguma coisa eu te chamo", eu estava sempre junto a minha avó, aguardando pelo momento de ser útil para alguma coisa.
Eu deixei a minha avó e fui passear pela casa sozinho. A casa, na verdade, um casarão, foi construída pelo meu bisavô para servir de morada para ele e todas as suas filhas.
Quando criança, haviam quartos naquela casa que eu nunca havia entrado; aquele dia, era a minha grande oportunidade de explorar tudo que eu ainda não conhecia direito. E foi exatamente o que eu fiz. Eu comecei a entrar aqui, ali, quarto da minha bisavó, sala de estar, outro quarto, outra sala, cozinha com fogão a lenha, o velho porão, até que, entrei em uma sala de estar onde dei de cara com uma estante cheia de livros. Nunca havia notado aquela estante, nem aqueles livros. Aproximei-me , uma série de livros verdes me chamou a atenção, peguei o primeiro, "Primores do Conto Universal, Contos Norte Americanos", peguei o segundo, "Primores do Conto Universal, Contos Italianos", peguei o terceiro, "Primores do Conto Universal, Contos Russos". Eu estava de frente com uma coleção centenária de nove livros com os melhores contos da literatura mundial! Linda! Sensacional! Milhares de páginas de pequenas histórias fantásticas!
Eu sempre gostei de histórias curtas, e aquela coleção antiga me parecia fascinante. Sentei em uma velha cadeira na velha sala de estar e por lá fiquei devorando sozinho os livros de contos que encontrará.
Depois de um certo tempo, alguém entrou na sala e me pediu para sair porque dali em instantes os mais velhos iriam se reunir ao lado para ler o testamento da tia Julieta.
Eu coloquei os livros no lugar e sai. Na saída, encontrei a minha avó a caminho da sala onde o testamento da minha tia seria aberto.
"Vó!", disse eu, "Eu encontrei uns livros de contos muito legais naquela sala. Têm contos da Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Brasil entre outros. Eu posso pegar os livros para mim?". Perguntei todo empolgado. "Rica, vamos ver. Depois da reunião, você me mostra os livros, e se nenhuma das minhas irmãs se importarem, você pode ficar com eles", "Legal, obrigado", e fui me juntar com os meus irmãos, primos e toda a ala jovem da família na grande varanda do lado de fora da casa.
Algum tempo se passou, um bom tempo se passou, já passava da hora do almoço quando a reunião terminou. Eu estava lendo um livro que sempre trazia comigo quando a minha avó apareceu na varanda.
"Rica, sabe aqueles livros que você mencionou ? A sua tia deixou para você", e completou, "Vou ler o que ela escreveu: "Para o Ricardo, o neto querido da Yolanda, eu deixo a minha coleção de livros de contos universais. Ele adora ler. Eu sei que ele vai cuidar com muito carinho dessa coleção de livros que me foi dada por uma pessoa muito especial. “Eu sei que ele vai aprender muito com esses livros.”
Eu sempre fico arrepiado quando me lembro dessa história.
Uma grande coincidência?
Eu nunca tinha visto aqueles livros na minha vida. Eu não tinha nada que ficar vagando pela casa xeretando as coisas naquele dia.
Existe algum significado nos livros que eu preciso saber?
Eu não sei. Eu só sei que de tempos em tempos leio e releio os contos dos livros da coleção que a Tia Julieta deixou para mim. Eu já aprendi muito, ri muito e chorei muito com todos eles. Certa vez, o conto "A pipa do amotilhado", de Edgar Allan Poe me deu a idéia de um nome diferente para o produto de um cliente; "O Subsolo", de Dostoiévski, me fez gostar ainda mais de História.
Quando a criatividade seca, quando estou cansado das abobrinhas do dia-a-dia, abro os livros da Tia Julieta e releio o conto de Cervantes, Mario de Andrade, Mark Twain, Tolstoi, Gode Vidal, e procuro acreditar que todos nós temos guias que de uma maneira ou de outra, estão olhando por nós.
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim. E Você?
Ricardo Jordão Magalhães é Revolucionário, Presidente e Fundador da BIZREVOLUTION (www.bizrevolution.com.br), onde ele ajuda as pessoas e as empresas a se transformarem em verdadeiras Empresas de Marketing focadas no foco dos seus clientes.
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Comentários |
Comentário de maria de lurdes silva em 01/11/2009 às 21:42hs. (horário de Miami)
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