A leitura deste livro provoca uma reflexão, das mais oportunas, sobre aquelas "heranças" que refletem, ate hoje, a fragilidade de nosso sistema partidário. A "democracia controlada", sob a hegemonia do velho PSD, expõe as limitações do sistema de representação no populismo. Se a valorização da competição partidária e eleitoral garantia um mínimo de representatividade, o sistema permanecia bloqueado para a efetiva participação política das massas, então reconhecidas através do voto. Nesse sentido, uma das análises mais interessantes deste livro se refere ao conflito, dentro do partido, entre as "raposas" e a "ala moça" no início dos anos sessenta. Os dissidentes colocavam em risco os pilares da tradição política das elites, como o coronelismo, o clientelismo e a "oligarquização das chefias". Foram esmagados. Lúcia Hippólito conclui (e, felizmente, com frieza de analista, apesar de sua nítida admiração pela competência pessedista) que a "fuga do PSD do centro", descambando para a direita, contribuiu para a fragmentação do partido e o colapso do sistema em 64. Seria esta a tendência natural de um partido de centro, acuado pelas reivindicações crescentes da cidadania? Um alerta a mais, a ser levado em conta, na atual discussão sobre a transição, os re-arranjos partidários, a conciliação liberal e as propostas de um novo pacto social.
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