Paulo Franco nas demais obras, porém sua poesia aparece renovada. Poemas como A Cristaleira, O Gari, O Mar e Estação são grandes amostras desta inovação, da "busca incansável" pela forma perfeita. Esta nova forma cultiva momentos que representam uma pausa para a candura. Deixa-se de lado aquele aspecto incisivo do impacto, eficiente em revelar uma condição tão caótica em que se encontram os indivíduos. Agora, os versos são organizados como resposta a este caos e, finalmente, o lirismo de Franco é uma harmonia entre imagem, ritmo, distopia e utopia. Há até o espaço para o riso, como se vê nas últimas estrofes de Fumaça. E qual leitor atento ao mistério do fazer a poesia não verterá uma dose de emoção qualquer após a leitura d´O Mito.
No entanto, Franco não busca apenas o novo, nos faz também dialogar com o "velho". É o caso do poema A Mariposa, que se apresenta como um outro ponto de vista d´O Colecionador de Coisas, do livro Notas das Horas. O eu lírico deixa de se colocar como personagem central, o que reproduz uma leveza a qual o poema anterior não possuía. Fica clara a real intenção do poeta: a síntese, a condensação, o abandono da estrofe didática. Não há mais a concessão ao leitor, este que se deixe levar ao infinito através da justaposição das imagens construídas. Não basta o leitor estar apenas ao lado dos indivíduos. É necessário conhecer o outro lado destes, e a poesia de Franco atenta-se para isso.
Desenha-se, então, um horizonte que se encaminha para a pura metáfora, porém sem ser a metáfora simplesmente pura. Não são traços de "metáforas involuntárias", como ele quer que acreditemos. Todos os seus elementos estão voltados para a reorganização de tudo aquilo que se construiu, para nos ensinar a rever nossos olhares, aprimorá-los para que se construam outros sentidos. Há a impressão de que a solução encontrada pelo poeta foi fazer de sua poesia o seu próprio movimento, sua própria ciência, e esta busca pela forma perfeita faz do seu lirismo algo original e profundo que contrasta com uma vasta produção nacional comprometida apenas com pirotecnias e aliterações de assonâncias fugazes, incapazes de elevar o ser humano a um patamar de reflexão e insubordinação a este status quo.
Editora: Espaço Editorial
ISBN: 9788587812513
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 96
Acabamento:
Brochura
Formato: Médio
Complemento da Edição: Nenhum
Livros no Submarino pelo menor preço | Muitos produtos em promoção no Wal-Mart