Quem estuda a literatura brasi1eira depara-se freqüentemente com uma pergunta: quando ela de fato começou? Terá sido já em 1500, com a Carta de Caminha, entendendo aqui "literatura" como qua1quer texto escrito? Ou então terá sido em 1601, ano da edição da Prosopopéia, de Bento Teixeira, primeira obra literaria com vocação artística publicada por um sujeito que, nascido em Portugal, viveu a maior de sua vida no Brasil? Ou precisaremos esperar mais ainda, até que aparece um fenômeno como Gregório de Matos, baiano nascido em 1633 e falecido em 1696, que jamais publicou nada em vida mas passou para a história como o primeiro poeta, cronologicamente, a demonstrar qualidade literária apreciável em sua poesia? As hipóteses podem variar muito ainda. Pode-se cogitar que de fato só há literatura brasi1eira quando ha Brasil e, portanto, só poderemos falar no tema a partir de 1822, ano da Independência política de nosso pais. Ou então podemos concordar com a consabida teoria de Antônio Candido, para quem a literatura só existe quando se pode observar uma interação entre autores, obra e público leitor, de tal forma ativos que configurem uma tradição, um sistema. Isso para não falar de teses delirantes, como aquela que postularia o começo de tudo, em matéria literária, aos sonhos dos índios que primeiro habitavam a região do futuro Brasi1... Pois vamos acrescentar uma teoria a esta coleção, só para realçar o autor que ora publicamos. Se o critério for o do registro impresso da sensibilidade, da literatura concebida como o lugar da expressão do modo de amar de um poyo, então não será absurdo pensar em Tornas Antonio Gonzaga como o iniciador da nossa história literária, sendo ele, como de fato foi, o primeiro grande lírico numa terra de muitos líricos. Não era brasileiro de nascimento, nem morreu aqui, como veremos em seguida; mas seus poemas flagraram um modo carinhoso de amar e de pensar no amor, modo que depois encontrou caminho em Casimiro de Abreu e em tantos poetas de mesma inspiração, além de nos inúmeros compositores populares que desde o século 18 povoam a vida brasileira cantando as dores de amor. Exatamente como fez o pioneiro Gonzaga em sua obra Marília de Dirceu.
Editora: Leitura XXI
ISBN: 8586880299
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 195
Acabamento:
Brochura
Formato: Médio
Complemento da Edição: Nenhum
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