Em seu novo romance, O proscrito, o escritor baiano Ruy Tapioca traça uma rica sátira sobre as origens da nossa sociedade. Como já havia acontecido no aclamado A república dos bugres (também editado pela Rocco), o autor partiu de uma minuciosa pesquisa histórica e lingüística o livro demorou cinco anos para ser concluído a fim de estruturar uma obra recompensadora. Utilizando expressões próprias do português arcaico e ambientando seus personagens em um realista Portugal do século XV, Tapioca conseguiu fazer de O proscrito uma leitura fluida e hilariante.
O proscrito traz o mouro Athanasius Mafamede a redigir uma biografia de seu amo, o infame português Dom Pero da Grã Verga Pinto Albaralhão. Apesar de esse nome ter sido esquecido pela História oficial, Albaralhão cujos únicos interesses eram "fornicar à ralaça, empanturrar o bandulho à labúrdia, enfatiotar-se à fedelhota, patranhar à balda e vagabundear à ufa" foi tido como o "Pai Adão Brasílico": fazendo bom uso de seus espantosos dotes sexuais, teve mais de quinhentos filhos e fundou a civilização brasileira.
Athanasius narra a singular existência de Dom Pero desde o nascimento, quando foi dado à luz como uma criança de rosto angelical. Seu temperamento, entretanto, era diabólico. Os passatempos preferidos do menino consistiam em pôr pregos pontiagudos na cadeira da avó, jogar gatos do alto do castelo onde morava para, dessa forma, testar se os bichanos eram mesmo providos de sete vidas e substituir por pequenos caranguejos de garras pontiagudas as moedas que cegos recebiam como esmola.
Com O proscrito, Ruy Tapioca cria a fascinante figura dom Pero da Grã Verga Pinto Albaralhão homem que dedica sua vida à luxúria, à gula e à preguiça e remete diretamente ao clássico Macunaíma. Assim como o antológico personagem do romance escrito por Mário de Andrade, dom Pero é um herói sem nenhum caráter que tem muito a dizer sobre esse nosso Brasil.
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