É espantoso que a poesia continue a ser escrita e, eventualmente, editada, em tempos de tamanha penúria. Ante a pergunta formulada há tanto tempo pelo poeta alemão Höelderlin, "E para quê poetas, em tempo de pobreza?", permanecemos calados. André Luiz Pinto, carioca de Vila Isabel, nasceu em 1975 e publicou seu primeiro livro de poemas Flor à margem, em 1999. Este Primeiro de Abril é, portanto, sua segunda publicação. Sua poesia tem o mérito de não facilitar, de não ceder diante da tentaçãode constituir sentidos abertos para leitura. Essa estreiteza do discurso que, exigente, não admite a todos a entrada, não se deve a um registro excessivamente literário, como aconteceu com uma parte da poesia jovem que escrita nos últimos anos no Brasil . De certa forma, a poesia fecha-se e recusa o espetáculo, o valor a que tudo deve se reduzir, num plano sem acidentes ou afecções, porque o reino dela não é deste mundo. Não há clareza, aqui, com não há clareza nas coisas. A poesia segue como um lume, cada vez mais tênue, mas que ainda serve para iluminar as trilhas escuras desses tempos tristes que atravessamos, tempos em que nos sentimos desanimados até mesmo para a perplexidade. Eis, então, leitor, este livro de poesia, acontecimento improvavél em um país que assiste, exultante, à falência ostensiva da vontade.
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