Há livros que trazem em suas páginas uma geografia. Constroem-se com superfícies de planuras, relevos, extensões, densidades, variações climáticas e vegetações propícias ao solo que os constitui. Inventam territórios de papel. Nômada, de Rodrigo Garcia Lopes, faz do deserto sua paisagem, uma experiência da linguagem e do poeta no agora do mundo. Isso, porque o deserto que os poemas do livro configuram não é apenas o lugar ermo onde nada tem lugar, o espaço do erro e da errância, com suas linhas de fuga, miragens e margens sem rio, mas também o cenário dos conflitos/dissídios de nosso tempo. É, simultaneamente, um espaço imaginário, "um lugar do onde, do ontem, do quando", e uma arena que em que se discutem, por vias transversas, as turbulências/contigências da realidade (ou "hiper-realidade", no dizer do autor).
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