NELSON SCHAPOCHNIK
O livro não exibe como podia ser de se esperar, um desprezo do jornalista da capital por São Paulo. Mas nas comparações insitentes, e em geral amplamente a favor da cidade do planalto, não deixam de estar as sementes da rivalidade. A admiração do cronista pelas mudanças da São Paulo da República Velha, do café, da massa de imigrantes e do início da sua industrialização. Uma São Paulo que crescia velozmente, antes de se tornar caótica, e um Rio de Janeiro que ainda era a capital federal, são os cenários das comparações de João do Rio. No livro, textos que narram a inauguração do Municipal, o trem que ligava as duas cidades,o Horto Florestal, o Hipódromo da Mooca, o Automóvel Club, onde se reunia a aristocracia paulista, as férias de verão passadas pelos cariocas na animada São Paulo da Belle Époque, tudo com uma empolgação positivista, eugênica e exagerada pelo crescimento econômico da cidade e pela origem européia dos seus imigrantes. Passeiam pelo livro figuras como Altino Arantes, o industrial Conde Mattarazo, o secretário da Fazenda Cardoso de Almeida, o então prefeito da cidade Washington Luís, Altino Arantes, Heitor Penteado, Alfredo Pujol, Oscar Rodrigues Alves, entre outros que hoje são mais conhecidos como ruas e avenidas. No texto “ao senador Alfredo Ellis”, João do Rio capta, extasiado, o espírito entre a eterna crise e a nova riqueza, entre a opulência e a beira do abismo que a metrópole mantém até hoje. “São Paulo é a máquina do progresso. Precisa de dinheiro para manter a mesma velocidade. Dinheiro faz dinheiro. Dinheiro para empresas, dinheiro para indústrias, dinheiro! Ninguém tem propriamente dinheiro. Gasta-se muito dinheiro e emprega-se dinheiro em mil e uma provas de ação, inclusive mesmo algumas explorações só explorações. De modo que, de repente, o crédito é retraído, é a agitação desesperada.” Livro para entender a identidade de São Paulo, da cultura imigrante do trabalho ao culto aos bandeirantes, “João do Rio: Um dândi na Cafelândia” é essencial para comparar a cidade narrada por do Rio e o que esta imaginava estar construindo como seu futuro, e a cidade que existe hoje. Sobre João do Rio (1881-1921):. De nome João Paulo Alberto Coelho Barreto, mais conhecido como João do Rio, foi um dos mais notáveis escritores da Belle Époque carioca, passando por diversos gêneros do jornalismo e da dramaturgia. Escrevia desde sobre os salões da alta política até o buraco da rua e o lado marginal da capital federal. De vida ag
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