Thomas More foi, ao mesmo tempo, um homem público, um homem de princípios e um intelectual. Qualidades que não são em si excludentes, mas que raramente aparecem de forma tão marcante e simultânea, como no caso de More. Como diz Peter Ackroyd, um dos mais recentes biógrafos de More, "olhando para tris, julgo que são essas suas características mais importantes ao olhar para sua vida com os olhos do século XXI". O fato é que More é um desses pensadores cuja vida se afigura tão relevante e cheia de significado quanto a obra. Um retrato de seu caráter e senso de humanidade e feito por Erasmo na carta que escreveu a von Hutten: "Com efeito, se há assuntos sérios para discutir, ninguém pode dar um conselho mais sábio; se o monarca deseja distender-se em urna conversação agradável, não há para isso melhor companhia. Questões difíceis sempre surgem, exigindo um julgamento sério e prudente e essas questões são resolvidas por More de tal modo que as duas partes em conflito saem satisfeitas. No entanto, ninguém jamais o induziu a aceitar um presente. Que benção seria para o mundo se magistrados como More fossem nomeados em toda parte pelos soberanos! Entretanto, ele não tem qualquer presunção de superioridade. No meio de uma grande pressão de negócios a serem resolvidos não esquece os amigos humildes e, de tempos em tempos, retorna a seus amados estudos" .
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