MARIA MANUELA DE CARVALHO
Vamos iniciar uma tarefa que nos é muito grata, pelo muito amor que temos à Mãe de Deus, mas que é também tarefa bastante delicada. Maria, figura da graça, é configurante de uma plenitude que agradecemos a Deus, mas perante a qual o silêncio é a linguagem mais digna. Vamos, então, tentar balbuciar, porque o assunto é também inesgotável, algo sobre o modo como os cristãos viram Maria, ao longo dos séculos de cristandade, e a ela se referiram, e como a Igreja lhes confirmou a re em proclamações dogmáticas, com as quais louva a Mãe de Deus. Dizem alguns cristãos que a Igreja católica teve especial gosto de proclamar dogmas. Sejamos justos. Nem são muitos os proclamados! O Cardeal Ratzinger, num seu escrito, justamente sobre o dogma da Assunção de Nossa senhora ao céu, diz que os ocidentais, habituados a exprimir mais racionalmente a sua fé, fazem dogmas, um ato de louvor que equivale aos hinos que os orientais entoam com a mesma intenção. Os quatro dogmas mariológicos nasceram nesse movimento de louvor à Virgem, de reconhecimento pelo valor do seu "sim" a Deus, e do papel que desempenhou na missão salvífica do seu Filho Jesus Cristo. Daí, o título dado a este ensaio -Maria Figura da Graça. A Figura mostra alguém, e, se a figura é bela, atrai a contemplá-la. Se a figura é a da graça, e a do dom do próprio Deus que, ao atrair, convida a participar do dom de si -a graça - a ação de Deus em nós, o ser Deus conosco -o ser Emanuel. Maria, Mãe de Deus, é Mãe da graça que configura em seu Filho os filhos de Deus.
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